sábado, 24 de dezembro de 2011

Sopro de Vida

Fiquei em dúvida se podia tirar uma foto sua. Pensei inúmeras vezes se olhar sua imagem me faria ouvir de novo sua voz.
Fiquei com esse pensamento na cabeça a noite toda e não conclui nada.
Passei a maior parte do tempo te olhando como se pudesse me lembrar de tudo pra sempre. Talvez eu possa. Eu não desejo esquecer.
Fiquei olhando em seus olhos e me vendo ali como se tudo fosse de verdade. Eu continuo aquela velha brincadeira de acreditar.
Pedi secretamente a Deus para dar você pra mim. Eu não estava pedindo muito, só pedi uma pessoa que me faz tão bem que me leva a esquecer tudo o que eu já vivi de mal.
Pensando por esse lado, eu estava pedindo muita coisa. Eu estava pedindo tudo.

Passei a noite toda falando qualquer coisa pra não deixar o tédio que sou tomar conta do ambiente. Olhando agora, vejo o quanto me esforcei e o quanto parecia natural para você estar ali, me dar um beijo na testa, acariciar meu rosto, me tratar como se eu fosse importante demais para me deixar ir embora.

Fiz questão de beijar cada centímetro de seu rosto, sabendo que era olhando para ele que eu encontrava boa parte da alegria que vivo agora.
Pedi tão baixinho pro tempo parar e ele correu...

A fotografia que gostaria de ter tirado teria me atrapalhado: prefiro continuar com o movimento da sua presença nas minhas lembranças. Imagens estáticas não combinam com você.
Ficar parado, manter-se aqui... são estados que não combinam com você...Uma imagem não me levaria a lugar nenhum.
Sei que, de qualquer forma, você continuará vivo, vívido e dinâmico em minha vida, onde quer que eu vá. E por enquanto, não há estado nenhum que seja melhor que isso.

Aline Bridget

domingo, 4 de dezembro de 2011

Novela Nova

Vivo aquele momento mágico que acontece quando a gente chora até de madrugada e acorda com aquela "maresia" no ar.
A manhã que sucede uma noite dolorida é mágica: você acorda com a certeza de que sobreviveu.

Pois bem, são 21h34. Eu estou com essa maresia de quem chorou nos ultimos 7 anos. E sobreviveu.
Talvez eu esteja nas ultimas semanas dessa novela que foi minha vida até agora. Estou escrevendo esse final. Eu já decidi como vai ser o final, estou agora montando as cenas com beleza e sintonia.

Tantos personagens, tantos mocinhos e bandidos em carrossel. Eu já nem sei mais quem é quem. Amei profundamente até quem eu deveria odiar.

Eu errei, acertei, batalhei. Senti medo, senti frio, senti fome e senti solidão. Talvez essa última tenha sido a pior e a mais importante das minhas provações mas ela foi a responsável por burilar a pedra bruta que eu era.
Nem preciosa. Apenas pedra.

E agora, essa sensação de maresia, essa segurança, essa falta de motivos pra continuar só me leva a uma constatação: acabou.
Não é uma relação, um curso, uma pessoa ou uma fase.
Acabou a pessoa que eu era. A pessoa que eu fui. Acabou o tempo escuro de portas trancadas. Os monstros que se escondiam embaixo da cama já se foram:

Vejam vocês, antes que suba o "the end" dessa fase ruim. O tempo é claro, solar. Propício e perfeito para minha risada mais escandalosa.
A grama no chão é macia e limpa. É nela que eu vou derrubar todos os meus amores num abraço. E nela que vou deitar com todos eles pra olhar estrelas. Vejam as estrelas: traduzem um destino maravilhoso.

Chega de se esconder, chega de sussurrar, chega de acariciar com medo, chega de medo.

O mundo todo é lindo. E ele é todo meu.

Aline Bridget