sábado, 31 de agosto de 2024

desabafos

A solidão é calma. Eu demorei 39 anos para entender o conceito dela.
Esperneava na carência e na necessidade de validação, nomeando como solidão sem entender o que sentia de fato.
Hoje, sem querer validação (visto que nem eu estou me validando) e sem estar carente (talvez pq o vazio precise ser preenchido por dentro e não com uma peça de fora), percebo que a solidão é doce. E triste.

Das pequenas coisas que guardo nesses dias para ancorar o propósito de seguir sem inserir mais alguem nesse contexto, poderia citar o peso do abraço do Lord perdido. A sensação que vai demorar meses, anos ou uma vida para ele sair de dentro dele mesmo para um bom papo. Não é uma reclamação, é uma impotência. Posso sentir o peso de alguém cansado da vida me abraçando e por confiança, soltando. Posso rezar pra sentir esse abraço de novo e saber que pode não acontecer.
Se me perguntarem: é o Lord?
Direi facilmente que não.
Mas com a bagunça dele, consigo ver a importancia de arrumar a minha antes de deixar mais alguém entrar. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Quando eu cai

Eu admito que estou lidando da pior forma. Deve ter uma forma melhor para lidar, em uma situação com precedentes previstos. Mas não tem forma, não existem precedentes quando o que a história envolve o que há de impalpável e imaterial como o que a gente sente por dentro.

Eu errei com você. Milhares de vezes desde o primeiro dia. Errei no julgamento, errei no acolhimento, subestimei, superestimei, te coloquei num pedestal de onde você se jogou de cabeça e eu nem julgo: eu teria me jogado também.

Você errou comigo. Errou ao me subestimar, me etiquetar e colocar numa gaveta que eu não cabia. Errou ao acreditar - ou fingir acreditar - quando eu te disse que não sentia nada. Você num pedestal, eu num muro que costumo erguer pra me fingir adulta e superior, quando no fundo ainda sou uma criança pedindo um pouco de validação e amor.

Nós erramos na aproximação. Era uma tragédia anunciada desde o começo, como a gente não percebeu? A superfície onde você habita me resseca a pele, a essência, os sentidos. Eu sou de mergulhar fundo. Me apaixono mil vezes e transformo todos essas paixões em carinho eterno. Uma visita breve ao amor. Mas com você, eu errei.

Hoje, o que sobra de mim é uma ansiedade que eu não sei lidar. Joguei fora todas as nossas conversas e memórias, o palito de dente com a letra A do meu nome, as apostas que você nunca pagou, a memoria da sua mão ao vento pra fora do carro, como quem se molha no mar. Como quem liberto se sente mesmo preso em si.

Errei ao não te dizer como me sentia. Não mudaria nada, eu assisti 500 dias com ela e entendo demais a Summer. Mas se eu dissesse, te daria uma ideia do porque eu precisei jogar tudo fora.

Eu errei com você. Errei na assertividade, ao querer explicar tudo, te mostrar meu mundo. Li errado, achei que você quisesse ver.

Você errou comigo. Errou ao não querer conhecer nada e só me dar todas as suas questões para eu traduzir e te devolver.
Errou ao não me perguntar nada. Errou agora ao não querer saber.

Nós erramos um com o outro. Mas isso não vai me definir pra sempre. Haverá um dia em que eu não lembrarei mais da sua presença silenciosa e gritante e das suas tão enormes contradições que matam toda a confiança que se pode ter em você.

Eu errei com você. E até aceitar esse erro, eu vou ser uma questão difícil de lidar.