quarta-feira, 13 de junho de 2012

Carta ao Casamenteiro...



Querido Santo Antônio, Boa Noite!

Primeiramente, quero parabenizá-lo pelo seu dia.
Que o sr. esteja muito Feliz em seu aniversário!

Hoje, quando voltava pra casa vi uma procissão de fiéis de uma igreja que leva seu nome. Eu juro que quase desci do ônibus para seguir. Agradecer. Reclamar. Reivindicar.
Mas eu não desci.

Não guardo mágoa de ninguém mas também não faço a "boa moça". Assumo que já coloquei sua imagem de ponta cabeça, já arranquei seu bebezinho, já conversei noites e noites a fio contigo até perder a paciência com a falta de resposta e transformar nosso bate papo em discussão de baixa categoria. Não sou santa, Santo Antônio. O Sr. é.

Sabe, entendo que a culpa não seja totalmente sua. Mas poxa. Analisa a situação: Em matéria de amor, eu pedi bem pouco. Eu pedi um fusquinha velho quebrado...
E o Sr. não me atendeu...
Continuou aí no céu dando BMW's zero kilometros pra pessoas não habilitadas que davam perda total no coração de outras pessoas...

Qual é o problema? Qual é o MEU problema?

Certo.
Eu não entro no jogo.
Eu faço tudo o que não pode: Eu demonstro interesse, eu cuido, eu já até cobicei o homem de outra moça. Idiotices feitas por "amor".
Eu precisaria agir certo, fazer por merecer, pentear mais meus cabelos, perder 20 kg, usar saltos mais altos, falar menos, rir menos, sair mais, me jogar mais.

Eu sei, Santo Antônio, eu não facilito seu trabalho. Não vou conseguir isso. Tenho tentado mudar tudo isso que sou há mais ou menos 26 anos. Sabe, tô desistindo, isso não vai mudar.

Em nome da nossa amizade (ainda te considero meu amigo, Santo Antônio. Mesmo brigando tanto. O sr. é meu geminiano querido) por favor, apenas afaste de mim aqueles que não forem para meu bem.

Manter-se são nesse mundo é tão difícil. O sr. não deve saber disso porque aí em cima não tem trânsito, chefes, SUS, trombadinhas ou metrô...
Mas a vida aqui embaixo é frenética. Manter o equilibrio já é díficil.
Manter o equilibrio com o coração partido, é impossível.

O aniversário é Seu. Eu sei.
Mas eu tô pedindo menos do que peço com frequencia.
Por favor, Santo Antonio. Livra-me dos amores que machucam.
Sem eles, eu consigo prosseguir sozinha.



Feliz Aniversário, Santo Antônio.

Com Amor,


Aline Bridget

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Lição das Cinco Bolas

"Imagine que a vida seja uma brincadeira em que você fica fazendo malabarismo com cinco bolas. As bolas se chamam: trabalho, família, saúde, amigos e integridade. Você está mantendo todas as bolas no ar e um dia finalmente se dá conta de que o trabalho é uma bola de borracha. Se você a deixar cair, ela vai pular de volta. As outras quatro bolas - família, saúde, amigos e integridade - são feitas de vidro Se você deixar cair alguma, ela vai ficar arranhada, ou lascada ou vai se quebrar de vez."

(James Patterson - O Diário de Suzana para Nícolas)

Foi só com esse livro que eu compreendi. Acho que agora posso começar a viver do jeito certo.

Aline Bridget

O Jogo do Anjo

..." Talvez por isso, todos pensassem que era um ateu. Mas era um homem de fé. Acreditava em seus amigos, na verdade das coisas e em algo com que não se atrevia a pôr um nome ou um rosto, pois dizia que para isso existiam os padres. O sr. Sempere acreditava que todos fazíamos parte de algo e que, ao deixar esse mundo, nossas lembranças e nossos desejos não se perdiam, mas passavam a ser lembranças e desejos de quem viesse a ocupar nosso lugar. Não sabia se havíamos criado Deus à nossa imagem e semelhança ou se Ele nos tinha criado sem saber muito bem o que fazia. Acreditava que Deus ou o que quer que seja que nos trouxe para esse mundo, vivia em cada uma de nossas ações, em cada uma de nossas palavras e se manifestava em tudo o que nos fazia ser algo além de simples figuras de barro. O sr. Sempere acreditava que Deus vivia um pouco, ou muito, nos livros e por isso dedicou sua vida a partilhá-los, a protegê-los e a garantir que suas páginas, como nosssa lembranças e nossos desejos, não se perdessem jamais, pois acreditava, e me fez acreditar também, que, enquanto restar uma só pessoa no mundo capaz de lê-los e vivê-los, haverá um pedaço de Deus ou de vida...."

(Carlos Ruiz Zafón - O Jogo do Anjo)

Esse texto é a homenagem do Padre no enterro do sr. Sempere, o livreiro de bom coração do livro o Jogo do Anjo. Tive que citar pois casa exatamente com a minha visão de Deus e eu gosto de colocar minha visão das coisas aqui.
Me toca muito a parte em que o Padre diz que Deus mora em nossas ações. Talvez isso sirva de reflexão para essa semana. Estamos agindo de acordo com as Leis de Deus? Cíumes, Mentira, Inveja, Raiva... são sentimentos que respeitam as Leis de Deus? O Deus, aquele que nos deu a vida e que nos dá maravilhosas lições diárias... estamos sentindo-O em todos os lugares e principalmente dentro de nós?

Não sou muito religiosa, apesar de já ter participado de muitas religiões. Buscava Deus, buscava respostas. Até que descobri que não existe técnica milagrosa para encontrar Deus. Não é um tesouro perdido.
Define Deus perfeitamente dizer: tudo. É tudo, é parte de tudo, como consequência é parte de mim. E parte de todas as pessoas que, por mais que errem e me machuquem, eu tenho que respeitar e amar porque dentro deles está uma parte de Deus e uma parte de mim.

Simples, não?

Insisto nisso: prefiro calar e aguentar o que tiver que aguentar sozinha do que falar e cometer um grande erro.


Aline Bridget

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sonho bom

É uma espécie de luto mas não houve morte: certos sonhos, sonhados sem ser catálogados em "possíveis de dar certo" e "certamente darão errados" são como grandes amigos. Percebemos que enquanto vivemos um sonho desses, vivemos sozinhos com eles e pronto.
Mas como era de se esperar, chega a hora de acordar...

Esses sonhos sem categoria definida a príncipio, logo deixam claro tratar-se de sonhos "sonhados por idiotas que sonham demais". Como resultado, depois de uma sucessão de fatos que só causam constrangimento e espera inútil, o sonho acaba.
O que percebemos, caindo dos olhares acusadores e das meias palavras que dizem mais que frases feitas, é o final de algo que nem começou. Nem poderia, era um sonho só. Pra ser sonhado num sábado preguiçoso de manhã, pra salvar da solidão, pra fazer sorrir numa tarde de outono. Mas insistimos em torna-lo palpável. E é aí que começam os problemas com insônia...

Existem ainda, os sonhos da categoria "era sonho de amigo mas o sonhador viajou na maionese". É aquele tipo de sonho destruidor de amizades. Confundimos as coisas e no final perdemos tudo. O luto nesse caso é dobrado. A incerteza quanto a veracidade da amizade ou do amor, planta em nossos corações uma semente de erva daninha. Esse sonho já está na categoria pesadelo: acordamos dele e não temos mais nada.

A semelhança entre os sonhos citados acima está no erro de mira do cupido. Tem que haver algum culpado, não é verdade? E dessa vez, ainda em sonho, digo que a culpa é dele.
Foi ele com sua flecha desregulada que me acertou pela segunda vez sem acertar o moço. Sua flecha, banhada no mais potente sonífero misturado com chá de cogumelo, me levou a um sonho maluco novamente. E eu acabei de acordar.
É óbvio que nesse exato momento, o sr. cupido está em outro canto, fugindo de mim e criando maiores confusões com outras pessoas.
A mim, só resta tentar esquecer um sonho lindo que sonhei sozinha, enxugar as lágrimas e levantar dessa cama. Chega de sonhos por enquanto. É triste mas preciso me concentrar em viver a realidade.


Aline Bridget

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

É bastante

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

(Ricardo Reis, "Ode" 1933)