Hoje eu não vesti preto.
Sonhei com você e voltei a acreditar em constelação.
Ouvi sua voz, mas não te vi.
Ouvi novamente todos os seus áudios e me parecia que você dizia outras palavras.
Me parecia outro idioma.
O idioma de quem nunca disse a verdade.
Hoje eu decidi não dizer que fui uma idiota ao acreditar em você.
Tirar a responsabilidade de cima de mim foi poético.
Hoje eu ouvi sua voz e entendi que a culpa foi sua.
Isso não aliviou em nada o que sinto.
Hoje eu decidi não falar para ninguém sobre meu sonho ou meus pensamentos.
Decidi não ouvir os conselhos sobre deixar para lá, seguir a vida e parar de sentir isso por ter sido pouco tempo.
Ouvi sua voz e me ouvi o suficiente para decidir me resolver sozinha.
Ouvi minha voz e me vi. Não foi culpa minha ter acreditado em você.
Não foi minha culpa ter dado o melhor de mim.
Hoje eu acordei depois de ter escutado sua voz perdida no vento.
Acordei e não vesti preto.
Não me forcei a comer certo ou levantar da cama.
Eu acordei e me olhei no espelho.
Acordei, olhei no espelho e não me vi.
Hoje eu acordei e decidi que não preciso mais pensar no que não tenho que ela tenha.
Acordei e ouvi minha voz perdida no vento a dizer que tenho meu valor e que não foi culpa minha.
Hoje eu acordei e vesti uma camisa alegre.
Vesti uma que você nunca viu. (Mas que diria que era engraçada como minhas roupas todas.)
Acordei, vesti uma roupa alegre, ouvi sua voz debochada dizer isso e sai assim mesmo.
Acordei e percebi que eu preciso seguir em frente.
Hoje eu ouvi seus áudios e apaguei todos.
Quando o amanhã virar hoje, não vou querer te ouvir mais.
Acordei ouvindo sua voz e voltei a acreditar em constelação.
Não posso repetir mais essa história.
Hoje eu ouvi sua voz perdida no vento e respondi:
Por favor, pare de falar em minhas memórias.
Eu preciso seguir em frente.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
quinta-feira, 31 de março de 2016
O Farol
O táxi parou no farol fechado e eu vi um casal de mãos dadas. Ele falava animadamente sobre alguma coisa. Ela ria descontroladamente e retrucava. Pertencimento e intimidade eram duas palavras que resumiam bem aquele casal.
O farol de pedestres abriu e o casal seguiu. Pé direito dele, pé direito dela. Pé esquerdo dele, pé esquerdo dela.
Ele ligeiramente a frente com um andar desajeitado típico de quem é alto demais. Ela com um andar firme e seguro como quem está exatamente onde deveria estar.
Atravessaram de mãos dadas, o casal que se pertencia. A intimidade quase palpável mesmo pra quem visse de longe.
O farol abriu e o táxi seguiu a viagem para o meu destino.
Esse casal me fez lembrar de uma vida (curta) que vivi. Uma vida de me sentir a mulher mais segura do mundo ao segurar a mão dele, uma vida de rir descontroladamente de bobagens e histórias que ele contava para me fazer rir. Uma história curta de pertencimento e intimidade. Intensa como toda vida deve ser.
Aquele casal me deixou com uma saudade imensa mas já nao há mais ruas pra atravessar de mãos dadas ou bobagens para rir descontroladamente. Nada daquela vida me resta. Eu só tenho ao meu alcance um sincero desejo: de que a história daquele casal que vi no farol tenha um final diferente da minha.
O farol de pedestres abriu e o casal seguiu. Pé direito dele, pé direito dela. Pé esquerdo dele, pé esquerdo dela.
Ele ligeiramente a frente com um andar desajeitado típico de quem é alto demais. Ela com um andar firme e seguro como quem está exatamente onde deveria estar.
Atravessaram de mãos dadas, o casal que se pertencia. A intimidade quase palpável mesmo pra quem visse de longe.
O farol abriu e o táxi seguiu a viagem para o meu destino.
Esse casal me fez lembrar de uma vida (curta) que vivi. Uma vida de me sentir a mulher mais segura do mundo ao segurar a mão dele, uma vida de rir descontroladamente de bobagens e histórias que ele contava para me fazer rir. Uma história curta de pertencimento e intimidade. Intensa como toda vida deve ser.
Aquele casal me deixou com uma saudade imensa mas já nao há mais ruas pra atravessar de mãos dadas ou bobagens para rir descontroladamente. Nada daquela vida me resta. Eu só tenho ao meu alcance um sincero desejo: de que a história daquele casal que vi no farol tenha um final diferente da minha.
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