Mas parecem muitos anos. Uma eternidade por um lado, um segundo fulgaz em outro.
Ora chego em casa e acho que vou encontra-la porque faz pouco tempo e eu ainda não me acostumei.
Ora parece que eu vou enlouquecer de tanta saudade porque já faz muito tempo.
3 meses...
Já tinha ouvido falar que as vezes a vida muda, radicalmente e de forma muito rápida. Ouvi histórias, li em minhas ficções...Nunca havia comprovado.
Foi como nas ficções mesmo: acaba um capítulo - que não deixa claro o final - e começa o outro já em outra estação, outra cidade, outros personagens.. só que na mudança a que me refiro, não tinha uma capa com os dizeres: X anos depois.
A vida mudou e mudou na hora. Mudou em dois segundos numa ligação de telefone.
Mudou naquela sexta-feira em que uma parte de mim também morreu.
Mudou naquelas 3 horas do período da tarde em que o chão faltou.
Mudou a vida, mudou a forma de enxergar, mudou a forma de sorrir, mudou a forma de amar.
E não dá pra dizer que deu pra se acostumar. Posso dizer, pra tornar positiva a mudança, que deu pra "acalmar".
Mas a mudança tá aí todas as manhãs quando ninguém levanta pra usar o banheiro e atrasar meu banho.
A mudança está estampada na cara do sofá todas as noites quando não tem ninguém pra fazer algum comentário sobre os atores da televisão.
A mudança está colada na minha testa quando não tem ninguém pra dizer que minha blusa velha é muito bonita (onde você comprou? Compra uma pra mim quando for lá...)
Ouso dizer mais, não foi só a vida que mudou.
Eu passei 27 anos da minha vida ouvindo frases como:
"Amigos e colegas não são mais importantes que sua familia"
"Tem que dar valor pra sua familia"
"Você precisa aprender as coisas porque você não vai ter sua avó, sua mãe e suas tias aqui pra sempre"
"Você precisa se cuidar, menina"
"Você precisa ter fé em Deus"
"Deixa de ser boba, menina. É um direito seu"
Eu nunca obedeci. Eu ouvia mas achava que sabia me virar melhor (tem sempre um pouco de petulancia na juventude, assumo).
Eu aprendi essas lições naquela sexta-feira...
Aprendi que amigos, se você contar os dedos, não enchem uma mão.
Aprendi que na hora do aperto, é a família que vai estar ali dando apoio, bronca, um lenitivo mesmo sem ter condições.
Aprendi que realmente as pessoas não ficam conosco nessa terra pra sempre, precisamos conviver ao máximo com elas e buscar fazer tudo certo pois "a mudança" não dá aviso prévio.
Aprendi que é preciso se cuidar sem ser paranóica. Um casaco e um chá no frio, muita água e frutas no calor...
Aprendi que as pessoas precisam me respeitar assim como eu as respeito. E elas só vão fazer isso se eu mostrar que sei me defender, que sei brigar pelos meus direitos, que sei gritar alto também.
Aprendi a cobrar as pessoas que me deviam. Ela sempre dizia que eu tinha que ir atrás e eu fui. Talvez ela se orgulhasse de saber. Não sei.
Eu tenho tentado aprender (nesses 3 meses, eu tentei todos os dias) a viver sem sentir a ausência. Porque a ausência dela ocupa muito espaço. Enche tudo de um vazio que a gente (sei que não sou só eu) precisa sorrir e fazer piada pra não faltar o ar.
Porque a gente tem que ser forte (tem que ter coragem, menina). Não dá pra vacilar, não com tantas lições que a gente aprendeu só de observá-la.
Pela honra que foi conviver com esse ser, que era minha referência de "bem", meu pedaço de anjo sem asa.
Pela família que ela criou. E qualquer coisa que ela tenha criado, merece ser cultivado.
Pelo amor, que a gente não deixa a saudade sufocar e a rotina esconder.
E pela certeza que um dia haverá um reencontro. Onde poderei dizer o que não disse:
Obrigada, vó. Obrigada por tudo o que me ensinou e por todo o amor que deu. Bença...
sábado, 22 de junho de 2013
domingo, 24 de março de 2013
Bença, Vó!
""E quando te houveres consolado (a gente sempre se consola),
tu te sentirás contente por me teres conhecido.
Tu serás sempre meu amigo, terás vontade de rir comigo..."
Quando cheguei ontem e a vi, deitada entre tantas flores (que ela tanto amou), percebi: ela não estava mais ali.
Seu corpo parecia agora uma casca de ovo de cujo interior, a mais bela ave já havia saído voando em direção ao alto, em busca de descanso, em busca das pessoas tão amadas que ela já tinha visto partir.
Já não a senti mais.
A presença forte, preocupada. O amor incondicional. O sorrisinho doce, a gargalhada gostosa...Não senti mais. Não foi nada disso o que vi naquele corpo deitado entre as flores... Mas não pude resistir a ficar perto todo o tempo...
Ela não deixará de existir por ter partido, ela só deixará de existir se a deixarmos morrer em nossos corações.
Quanto tempo dura uma luz nesta Terra?
Esta luz que vi, durou 87 anos. Iluminou a todos sem fronteira de espaço ou tempo. Nos apresentava sua forma iluminada de ver a vida, o bem, o amor, o respeito, a responsabilidade, a alegria, a fé. E se apagou no momento certo.
Partiu em busca de um lugar onde houvesse mais respeito, onde as pessoas vivessem tendo como lei o amor ao próximo, o respeito, o amor à Deus, os exemplos de Jesus Cristo, a moral elevada.
Estará agora, provavelmente, descansando.
Foram 87 anos de luta. Pra viver, ela sempre dizia, era preciso coragem, ânimo. E ela teve tudo isso até o fim. Coragem para ir em frente sem vacilar, ânimo para sobreviver a perdas e decepções imensas e fazer tudo isso com um sorriso pronto. Mas aposto que ela também cansou.
Perdeu filhos, perdeu marido, percebeu o declínio do próprio corpo durante o tempo. Talvez não tenha percebido a doce confusão que sua mente estava fazendo. Mas com certeza se cansou e precisa se refazer...
Eu vou parar de chorar em algum momento mas eu só gostaria que ela soubesse, onde quer que ela esteja, que sua vida foi mais que vida, foi exemplo.
E ser neta dela, foi mais do que ter sorte, foi ter a honra.
E se eu, por ventura, conseguir ser um pouco parecida com o que ela foi, eu já serei uma pessoa boa.
Porque ela, sendo ela mesma naturalmente sem esforço, era um ser maravilhoso. Que deixa hoje saudades, exemplos, memórias, fotografias... e aquela vontade de abraçar só mais uma vez, de dizer só mais uma vez "Bença vó"...
Te amo, véinha.
Vá em paz... nos encontraremos em algum lugar.
Aline Alves de Souza
domingo, 27 de janeiro de 2013
Os Problemas do Mundo
O mundo está repleto de ouro.
Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.
Mas o ouro não resolve o problema da miséria.
O mundo está repleto de espaço.
Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos.
Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.
O mundo está repleto de cultura.
Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião.
Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.
O mundo está repleto de teorias.
Teorias na ciência. Teorias nas escolas filosóficas.
Teorias nas religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.
O mundo está repleto de organizações.
Organizações administrativas. Organizações econômicas.
Organizações sociais.
Mas as organizações não resolvem o problema do crime.
Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o monstro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.
Bezerra de Menezes
Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.
Mas o ouro não resolve o problema da miséria.
O mundo está repleto de espaço.
Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos.
Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.
O mundo está repleto de cultura.
Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião.
Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.
O mundo está repleto de teorias.
Teorias na ciência. Teorias nas escolas filosóficas.
Teorias nas religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.
O mundo está repleto de organizações.
Organizações administrativas. Organizações econômicas.
Organizações sociais.
Mas as organizações não resolvem o problema do crime.
Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o monstro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.
Bezerra de Menezes
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