O táxi parou no farol fechado e eu vi um casal de mãos dadas. Ele falava animadamente sobre alguma coisa. Ela ria descontroladamente e retrucava. Pertencimento e intimidade eram duas palavras que resumiam bem aquele casal.
O farol de pedestres abriu e o casal seguiu. Pé direito dele, pé direito dela. Pé esquerdo dele, pé esquerdo dela.
Ele ligeiramente a frente com um andar desajeitado típico de quem é alto demais. Ela com um andar firme e seguro como quem está exatamente onde deveria estar.
Atravessaram de mãos dadas, o casal que se pertencia. A intimidade quase palpável mesmo pra quem visse de longe.
O farol abriu e o táxi seguiu a viagem para o meu destino.
Esse casal me fez lembrar de uma vida (curta) que vivi. Uma vida de me sentir a mulher mais segura do mundo ao segurar a mão dele, uma vida de rir descontroladamente de bobagens e histórias que ele contava para me fazer rir. Uma história curta de pertencimento e intimidade. Intensa como toda vida deve ser.
Aquele casal me deixou com uma saudade imensa mas já nao há mais ruas pra atravessar de mãos dadas ou bobagens para rir descontroladamente. Nada daquela vida me resta. Eu só tenho ao meu alcance um sincero desejo: de que a história daquele casal que vi no farol tenha um final diferente da minha.
quinta-feira, 31 de março de 2016
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