sábado, 28 de maio de 2011

A uma ausência

"Sinto-me sem sentir todo abrasado
No rigoroso fogo, que me alenta,
O mal, que me consome, me sustenta,
O bem, que me entretém, me dá cuidado:

Ando sem me mover, falo calado,
O que mais perto vejo, se me ausenta,
E o que estou sem ver, mais me atormenta,
Alegro-me de ver-me atormentado:

Choro no mesmo ponto em que me rio,
No mor risco me anima a confiança,
Do que menos espero estou mais certo;

Mas se de confiado desconfio,
É porque entre os receios da mudança
Ando perdido em mim, como deserto."


(Fiquei confusa acerca da verdadeira autoria. Internet faz isso comigo. Conheço esse poema desde a adolescência mas perdi o livro onde o li e não lembro o autor. Gosto pelo conteúdo e para mim isso basta)


Aline Bridget

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