domingo, 27 de dezembro de 2009

Sobre novas paixões...

Inconscientemente decida a parar de sofrer, a deixar para trás toda tristeza que não compreendo, me vejo cheia de novas e deliciosas paixões.

A primeira, no fundo vem como uma paixão antiga. E é minha paixão por Exupery.
Já era apaixonada pelo mais famoso de seus livros, mas confesso que fiquei alucinada e ensandecida (como diria o Will) pelo autor, depois de descobrir um pouquinho sobre sua vida, seus hábitos e seus defeitos.
Me peguei vagando pelas livrarias em busca de um livro que está fora de circulação.
Me peguei ansiosa esperando por um outro título encomendado (e era um livro de contos até então odiado por mim).
O livro chegou e estou perto de terminá-lo. Tenho lido com calma, tentando desvendar o que o autor pensava ao escrever cada linha.
É um livro sobre guerra. Mas a visão de Exupery da guerra e da destruição é tão linda, que a mim mais parece um romance...Livro doce de ler... Faz com que eu me sinta perto, dentro da vida do autor... Quem tentar ler, não entenderá: é preciso estar verdadeiramente apaixonado para sentir.
Mas tanto faz. Esse post não é para aconselhar. É apenas um desabafo.
Alguns trechos desse livro:
..."Eis aqui, pensei eu, um homem que desconhece a cólera. Não dá aos seus semelhantes a honra de considerar que eles existem. Seus semelhantes constituem, para esse homem, uma bela massa de modelar, e esse juiz não é mais sensivel à ternura do que à cólera. Pela argila, pode-se prever a obra e sentir por ela um grande amor, mas a ternura só pode nascer do respeito pelas individualidades. A ternura faz ninho nas pequenas coisas, nos ridiculos de um rosto, nas manias de cada um. Quando perdemos um amigo, talvez seja por seus defeitos que choramos..."
(Trecho do conto MOSCOU, sobre a viagem à Rússia em 29 de Abril de 1935. Pag. 40 - Livro: Um sentido para a vida.)

Uma outra paixão surgiu da falta de sono de uns dias atrás... Eu sempre soube que apaixonaria quando visse um filme de Chaplin, mas não pensei que adoraria tanto.
Assisti Luzes da Cidade. É fantástico. A simplicidade e ao mesmo tempo o carisma faz de Carlitos um personagem incrível.
E a lição que passa também é muito bela.
Carlitos (O vagabundo) se apaixona por uma florista cega. Essa acredita que Carlitos é um milionário. Disposto a não decepciona-la, Carlitos começa uma série de trabalhos com o intuito de arrecadar o dinheiro necessário para o pagamento do aluguel da florista bem como "devolver-lhe a visão".
O humor do filme fica por conta de seus jobs como varredor de rua, lutador de boxe e a troca de favores de um milionário bêbado (a quem Carlitos salvou a vida) e que sempre se esquece dessa amizade quando fica sóbrio.
O milionário entrega a Carlitos mil dólares, porém fica sóbrio e esquece de tudo.
Carlitos até consegue fugir da policia a tempo de ir a casa da florista e entregar-lhe o dinheiro. Vai preso em seguida.
Meses depois, após sair da cadeia, Carlitos vê sua musa trabalhando em sua própria floricultura. A moça, busca em cada milionário seu benfeitor.
Ao ver Carlitos, acredita ter feito uma "conquista" e entrega a ele uma flor e uma moeda. Mas o reconhece ao tocar sua mão.

Essa moça nunca saberá os sacrificios que Carlitos fez para dar-lhe o pouco dinheiro que conseguiu.
E esse filme me fez lembrar que o amor está longe da aparência e da classe social: Ama-se verdadeiramente pelo interior, por tudo aquilo que os olhos não podem ver.

Apaixonante, não?

Bem, é isso.

Beijos me liguem no verão,


Aline Bridget Alves

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