
Um belo dia a gente acorda e percebe que poucas de nossas lutas fazem sentido. Uma guerra diária tão insana que dá até medo de parar de lutar... Porque não paramos? Pelo medo de perder o tesão, a vontade de viver.
Tudo me parece assim: estranho, alheio, distante. Me sinto distante.
Volto a me sentir mais acelerada do que as coisas. Volto a ter desejos malucos. Volto a esquecer todos os dias das coisas que tenho que me lembrar.
Obrigações, laços, atitudes e escolhas: Um dia a dia repleto de movimento me torna cada dia mais cansada e dinâmica.... Até que eu acordo um belo domingo e nada faz sentido: Nenhuma luta, nenhum, laço, nenhuma obrigação e nenhuma das escolhas que tenho que fazer.
Percebo que imploro por um pouco de amor e tenho de sobra dentro de mim.
Percebo que meus laços me levam a uma escravidão de pouca afinidade.
Percebo que minhas obrigações me emburrecem e me deixam cada dia mais longe do que realmente quero fazer na vida.
Percebo que tenho muitas escolhas a fazer por dia e por algum motivo que desconheço, escolho sempre errado.
E então? Eu vou continuar a lutar porque?
Desisto de ser um soldado nessa vida insana.
Numa guerra, minha participação poderá ser apenas como a do Exupery: piloto de aviões.
Eu não quero mais lutar por nada que não seja minha liberdade de voar quando a coisa ficar muito incomoda em determinado lugar.
Covarde?
Tudo bem, não quero aprovação de ninguém mesmo.
Aline Bridget
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