segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Por causa da chuva


Na janela, apenas gotas que caem.
Tento concatenar idéias sem sucesso. Me concentro em contar as gotas mas me perco contando lágrimas, contando carneiros... O que são números?

Olhando de cima, a chuva é só névoa. Olhando de longe, é uma cortina intransponível. Estando na chuva como estou, olhando-a pela janela de um carro qualquer, a chuva parece um choro. Ora um choro daqueles desesperados. Ora um choro silencioso cheio de tristeza. A névoa no vidro não me deixa enxergar nada.

Eu contei e recontei mas fui vencida: há tristezas que por mais tentemos controlar e parametrizar, nos fogem pelos dedos.

Eu não sou exatamente uma pessoa fraca. Aprendi a me virar e reforçar e, chorando na rampa, aprendi a sobreviver. Mas hoje, até eu pediria ajuda. Até eu ia precisar de um colo, um lenitivo, um bom motivo, uma saída.

Andar na chuva é como mergulhar em si mesmo... Estou totalmente encharcada e vejo nitidamente cada parte da minha tristeza e da minha forma imperfeita de ser.
Estou cansada e ainda não cheguei em lugar nenhum. Pior é pensar que pelo visto, ainda vai chover por um bom tempo.

Aline Bridget

Um comentário:

  1. Aline...a cada dia mais tua fã!
    Quando crescer...vou escrever que nem vc!


    Bjussss

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