As vezes, a gente não pede nada da vida: apenas que por algum momento alguém seja capaz de compartilhar algo conosco.
Compartilhar uma opinião, uma idéia, uma paixão, um objetivo.
As vezes, a gente pede pro universo só alguém pra olhar nos olhos sem precisar esconder nada.
Essa solidão pode enlouquecer. Nada é mais enlouquecedor do que ser um soldado solitário.
Nada é mais solitário do que enlouquecer por alguns ideais.
Essa solidão que acompanha em silêncio, desloca. As vezes, a gente se acostuma com longos momentos sem falar e se esquece de escolher as palavras certas.
As vezes, por tanta solidão, a gente dá os recados errados pras pessoas erradas.
Porque essa solidão as vezes trancafia a gente num quarto escuro e nossa visão se desacostuma a ver as pessoas como elas realmente são.
Essa solidão que desloca a gente e separa como se já não fizéssemos parte da feliz comédia teatral, as vezes cega.
A gente se acostuma tanto a não ser mais parte daquela peça que já nem procura mais motivo para ser parte de alguma coisa.
A gente se acostuma tanto com o "Não ter motivos" que já não há mais esforços. Pelo menos, não mais esforços que devam ser ditos. Até porque não haveriam palavras.
Essa solidão que enlouquece, causa risos em alguns e preocupação em outros.
Mas ela não é assim, um bicho de sete cabeças.
Zombar de um estado de espírito como esses é desperdiçar a oportunidade de conhecer profundamente uma pessoa que sozinha, aprendeu muito sobre si.
Preocupar-se com um estado de espirito como esses não livra ninguém de senti-lo algum dia.
Essa solidão que enlouquece e segrega, também ensina.
E hoje estou apta para aprender a próxima lição.
Aline Bridget
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