Eu ficava me perguntando que caminhos teriam levado você para uma vida tão escura.
Eu ficava lá, tentando abrir cortinas, arrastar móveis e trazer um pouco de luz para sua vida... inutilmente.
Eu ficavá lá, perdendo meu tempo, acreditando em mentiras, tentando entender aquelas palavras que você pronunciava e que mais pareciam uma gravação do que sua própria voz falando... E era sua voz. Era você.
Era você com toda a bagagem cheia de preconceitos, egos e príncipios estranhos que lhe foram passados.
Era você esquecendo de comprar (com o dinheiro que você tanto valorizava) uma bagagem de amor ao próximo.
Vinha você e eu enxergava de longe, ouvia seus passos, sentia com uma inquietação na boca do estômago.
E quando você chegava, eu tinha que transformar de novo naquilo que não era. Por pouco tempo, porque você e sua bagagem tinham asas ao invés de pés. Como voavam com tantos sentimentos pesados?
Não me importa mais. Eu percebi que todas aquelas idéias que você tinha, eram idéias de outra pessoa e que aquilo não teria mais solução.
Você, sua mala, suas pessoas e suas opiniões ficaram no caminho escuro que abandonei quando num cruzamento enxerguei um caminho mais ensolarado. E segui por ele.
Não sinto saudades daquela escuridão não, mas algo em mim diz que se houvesse uma luz para acender naquele caminho, eu teria acendido. E algumas coisas teriam sido diferentes.
Mas não tinha luz nenhuma e tudo foi do jeito que tinha que ser.
Aline Bridget
domingo, 6 de novembro de 2011
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