quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Procura-se um idiota

Tinha esquecido completamente de um amigo querido do meu período juvenil... Como era mesmo o nome dele?
Eu não me importava com o nome dele, frequentemente chamava-o de "idiota".
A relação era assim: a gente brigava a manhã toda no colégio e bastava chegar em casa para lembrar e alguma coisa "muito importante" que tinha esquecido de dizer para ligar um para o outro. E se seguiam hoooras ao telefone.
Essa rotina tinha se instalado em mim quando ele começou a namorar e, por exigência da moça, se afastou de mim.
Eu poderia dizer que não doeu mas me lembro muito bem de ter chorado pela primeira vez por rejeição.

Esse namoro com essa moça, obviamente, não durou três meses. Ao final desse período (que eu vivi cobrindo o vazio das tardes ao telefone com alguma coisa qualquer), recebi um telefonema de pedido de perdão.

Claro, nunca mais seria igual. E nunca foi. Eu nunca mais o vi. E até lembrar dele hoje, havia esquecido de sua passagem em minha vida.

Esse tipo de atitude hoje em dia já não me machuca mais. Acho que acostumei.
Já não há rancor. Escrevi esse texto pela beleza da amizade. E pela vontade que me deu de encontrar esse idiota de novo, só pra brigar mais um pouco. E depois conversar mentalmente com ele (porque aprendi a odiar telefone), afinal, nesses 13 anos, "Muita coisa muito importante" aconteceu.


Aline Bridget

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