segunda-feira, 29 de março de 2010

Um texto precioso

Achei esse texto na minha caixinha de “herança para você assim que eu morrer”.
Essa caixa é um segredo causador de muitas brigas entre meus amigos e eu. E as vezes, com o passar dos anos, eu mexo para ver o que ainda vale a pena ficar lá. Milhares de chaveiros já se foram.
Ainda ficaram cartas, textos, musicas, fotografias, dobraduras, peixes de todos os tipos (inanimados, claro), flores, notas fiscais (também não entendi) e outras coisas que pelo caminho me fizeram lembrar de amores e amigos que ainda vivem em mim.
O fato é que encontrei esse texto lá. E mesmo sendo para depois de minha morte, ele disse muito sobre o que sentia numa época remota. Curiosamente, diz muito sobre o que sinto. Não me envergonhei da simplicidade com que expus uma paixonite feliz. Na verdade, ri muito do meu momento bobeiragem total. Bora pro texto:

“Saudades.
O ultimo sentimento que deveria ter e é o que me domina.
É por saudade que penso em você o dia todo. Não é dependência nem é puramente atração.
É como se, ao me encontrar com você, um buraco que eu não sabia que existia tivesse aberto. Sua ausência agora faz com que eu o perceba.
Saudade forte que aperta. Olho no telefone, sensação de que pode ser que você ligue.
Por qual motivo meu coração acha que estou presente em seus pensamentos também? Um pouco de otimismo e vontade de acreditar, talvez. Tanto faz, um sonho me livra um pouco dessa quase aflição deliciosa de sentir.

Você possui olhos vivos, olhos que sorriem, olhos quentes. Bem, olhos sempre foram minha paixão. Olhos tristes, olhos atentos, olhos que me acompanham, me vigiam, reparam em minhas atitudes.
Olhos que me olham enquanto durmo, olhos abertos e risonhos em todos os meus sonhos. Há quanto tempo te conheço? Tanto faz. De alguma forma, você mudou o que eu era.
Mudou meu trajeto, meu rumo, minhas vontades.
Ainda não sei se mudou ou se fez minha cabeça balançar de tal forma que já não lembro mais o que era.
Bem, eu não sei. Não me lembro, não me atentei a esse fato.

Insônia.
Tão comum, essa minha companheira. Noites e noites musicais no meu quarto. Um cantor para cada sentimento, uma musica para cada vetor(?). Ai, já nem sei mais de que tribo deveria ser já que cada música diferente que ouço me faz lembrar você.
Um fone de ouvido me transportando para uma pista qualquer. Dançar abraçada, uma valsa, um bolero. Abraçar sem dançar, sentir a musica: que musica? Basta sentir.
Pensamento em você. Na pureza que me transmite, na certeza que me traz.
Universo paralelo... Universo? Onde mesmo estou?

Minha cabeça nas nuvens, meus pés fora do chão. Sei que tenho tarefas a realizar mas não consigo me lembrar quais são.

Jurei tanto que nunca mais sentiria isso. Mas na verdade nunca senti. E na verdade... Eu disse isso? Era eu? Não consigo me lembrar.

Duas únicas certezas me acompanham:
1) te ver de novo será indicio de que ficarei muito sem jeito.
2) Ainda bem que toda essa baboseira melosa jamais será lida por você.


Por ora isso é tudo. Fico aqui com um pouco mais de Rita Lee, me dizendo que para você eu digo sim.


Durma bem. Que meu carinho seja fonte inspiradora de ótimos sonhos essa noite.



Ps 1.: A assinatura não existe. Nunca assinei minhas cartas e foi difícil começar a assinar meus textos. Porque não assinava? Não sei. Só sei que já briguei muito sobre isso. Meu argumento era que o recebedor da minha carta deveria lembrar pra sempre quem era eu, sem precisar consultar a memória pelo meu nome.
Ps 2.: Não há data. Curiosamente, não datei. Era como se esperasse me sentir assim o tempo todo.
Ps 3.: Eu me sinto nesse texto e me sinto nesse contexto. Mas não me reconheço nesse passado presente. Como se tivesse me perdido no futuro. O Red Bull em excesso de ontem mas todo o stress mental causado por problemas acadêmicos devem ter me feito mal. Juro que digitei partes deste texto no Google para ver se achava o autor. É meu mesmo. Há errinhos de português mega fofos. Eu era uma adolescente fofíssima
Ps 4.: Nunca tive coragem de entregar essa carta. Sei quem era o moço de sorte mas nunca entreguei. Dei a ele meu coração, minha alma, tudo que havia em mim e milhares de outras cartas. Bem, essa não foi. Ficou para herança depois que eu morresse. Amores como esse não morrem, se materializam, frutificam, mudam. Mas permanecem sempre, como uma brisa leve, um pôr do sol visto há tempos e guardado na memória. Amores não acabam, relações acabam. Amores perduram e percorrem a eternidade. Ainda bem.
Ps 4.: São 23:00. Estou chateadérrima pelo meu erro quase fatal de hoje e com muito sono por não ter durmido nada além de 2 horas noite passada. Esse texto mega engraçado está me fazendo chorar e nem sei porque. Não é como se me sentisse triste. É só que sinto saudade: Saudades de quem, Meu Deus????
Ps 5.: Vou dormir.



Agora, com assinatura:


Aline Bridget

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