segunda-feira, 26 de julho de 2010

A arte de ser vista com óculos sujos...

Eu nunca fui alguém fácil de lidar a primeira vista. Sou simpática porém arredia. Vovó já diria que seguro morreu de velho e nem todo o risco vale o petisco.

No geral, sou amável. No geral, abro portas. Mas só adentra minha sala íntima de visitas quem souber se comportar no meu saguão.
Tenho amigos que valem ouro e os cativei pouco a pouco. Injusto seria deixar qualquer um adentrar meu coração. Eu observo as pessoas quase sempre livre de julgamentos. E quando julgo, sou dura. É verdade, sou mesmo. Defeitos devem ser assumidos, ué.
Sou dura porque preciso me defender. Vale mais a esperteza do que a inteligência adquirida em livros...

No geral, sou atrapalhada.
Eu sempre caio, falo errado, rio alto e tenho uma postura de quem não se importa com o que pensam.
Geral sabe: eu me importo pra caralho. Eu me apego. E amo eternamente, intensamente, para sempre-mente. Essa sou eu. E amor... esse sentimento é universal: eu amo amigos, amo amores e amo chocolate... amor é amor, ué. Quer mais? Mereça minha adoração.

Quase sempre entro em mim.
Ninguém me tira de meus momentos de bode: preciso de paz, preciso de silêncio, por favor, me deixem em paz!
Quase sempre preciso pensar. Quase sempre, há um crime para expurgar, um ócio pronto a se instalar.

No geral, sou otimista.
Acredito em Deus, acredito no amor, acredito na verdade.
No geral, reclamo pouco, levanto a cabeça com olhos marejados: que vergonha há em chorar? E que mal há em reconhecer erros e pedir desculpas?

No geral, eu vivo para as pessoas.
Sempre tem alguém precisando rir, precisando de cia... e se não tiver, em geral eu crio essa necessidade só para poder estar perto das pessoas.
Em geral, pessoas são valiosas para mim.
Pessoas habitam todos os lugares da minha mente.
Porque em geral, não me dou bem com animais.

No geral, sou bem comportada. Sou uma moça reservada e tímida. Sou uma moça apaixonada e nunca cheguei perto de ser uma moça avassaladora.

No geral, me visto de forma engraçada, não gosto de pentear os cabelos e tenho horror a dentes sujos.

Mantenho-me em meu canto. Sossego, paz e alegria fazem parte do meu mundo. Meu coração está quebrado e minha consciência pesada em quase 100% do tempo... que mal tem? é o risco que se corre em viver.
Eu nunca entro em briga. Eu engulo sapos sempre e sempre e busco ensinar tudo pela gentileza.
A não ser que mexam com o que é meu. Com os meus, eu aprecio respeito.

As pessoas que me amam costumam dizer que sou uma pessoa boa. Eu costumo dizer que sou ética. E que ajo com respeito. E costumo dizer que não quero errar. E em silêncio penso que não há bondade nenhuma em minha tratativa comigo mesma. Eu sou sempre a mais prejudicada em minhas escolhas. Eu sou má! Sou uma bruxa má!

Que mal tem? Algo sempre sai errado e sempre alguém vai dizer que eu não valho nada, que eu não tenho nada e que minto todo o tempo.
Vai sempre ter um defeito, um olho torto, uma palavra torta, uma gordurinha, uma noitada de bebidas, um gosto mau gostado...

Que mal tem? o mundo é mesmo bom...
O risco de acreditar é que a decepção fica à espreita. Mas isso não muda quem sou.

O dia vai chegar e geral vai entender: aquilo que você faz volta em dobro para você.

E que mal tem?
é a lei da vida.

Aline Bridget

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