quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Conto de fadas

Era uma vez uma mocinha feliz e saltitante que nunca dormia o bastante.

O trabalho exigia que acordasse antes dos pássaros.
A Faculdade exigia que dormisse após os morcegos.
Olheiras, bocejos, cansaço: a vida dessa moça era um eterno ZZZZZZZ.


Sua única felicidade: Sábados. Os de começo de semestre pois os sabádos do final de semestre eram de trabalho duro, árduo e de madrugadas em claro trabalhando.


Tudo ia bem. Até se mudar uma nova vizinha para o vilarejo onde morava essa moça: Era o fim de um reinado de paz.


A sexta feira havia sido puxada. A moça tinha ido dormir perto da hora do sol nascer. Nem bem cochilou, o sol nasceu. E com ele, nascia uma estrela. Uma estrela não, era um meteoro: grande, barulhento e fazendo estragos por onde passava.


O barulho que esse “meteoro” feminino fazia era mais ou menos assim: (Vou tentar reproduzir o som da voz gritando + o rádio + o cachorro + as duas crianças agitadíssimas que moram com a “meteoro”):


- Hoje a minha vitória tem sabô de méu

Tem sabô de mééu


Tem sabô de mééééééééééééééu


AUUUuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu Au au auuuuuuuuuuuuuuuuuuu


Brrooooooooooooooooooooom Brooommmmmmmmmmm Bi Biiiiiiiiiiiiiiiiiii Sai Greg, que eu vô passá com meu caminhãããããããão.... Broooooooooooooooooom


Buáááááááá...Ô MÂÂÂÂÂNHEEEEEEEEEE


Tem sabô de méu


Tem sabô de méu.


Era mais ou menos isso.


A mocinha levantou muito assustada, chiquérrima com sua máscara anti claridade, achando que era o fim do mundo. Sua amorosa mãe lhe explicou que tratava-se apenas de sua vizinha, louvando a Deus.

Poxa vida, precisa louvar o coitado assim tão alto? Não dá pra dar uma louvadinha depois das 10 da manhã?

A música em si é bem complicada. Fala que a vida da pessoa antes de ser “fiel” era uma prova com o gosto amargo. Mas hoje a vitória TEM SABÔ DE MÉU, TEM SABÔ DE MÉU, TEM SABÔ DE MÉU. (desculpem por isso)

A moça, que já não curtia tanta competição, pegou mais raiva ainda dessa palavra. Vitória, batalha, guerra. Moça da paz. Simpática pra caramba ela.

O fato é que essa moça não quis ver a vitória da vizinha. Nunca vai saber que porcaria de sabor a vitória tem. Mas seu sono, seu descanso e sua paz foram terrivelmente derrotados.


Sim, essa é uma história em que o vilão tem final feliz. A vitória melada é do vilão.


Pronto, agora podem chorar de dó da mocinha.


Fim

Aline Bridget

Um comentário:

Gostou do que leu? Não gostou e eu mereço uma crítica?
Tudo bem... talvez eu chore, mas eu ainda vou gostar de você
Escreva nesse quadradinho abaixo...E não esqueça de assinar...
Obrigada!