domingo, 30 de janeiro de 2011

Mestres improváveis

"A gente tem que rir, não é menina?
Se a gente não levar a vida assim, brincando, tudo fica ruim, triste.
A gente tem que rir, tem que falar besteira, tem que jogar conversa fora. E viver sempre alegre"

Essas são frases de Dona Ondina, pessoa que estará sempre em meu coração mesmo que eu tenha que reconquista-la a cada visita.
Já imaginaram, né? Dona Onda, como é chamada, tem Mal de Alzheimer. Simpática que só, faz questão de dizer que sentiu muita saudades a cada vez que me vê.

Essa e muitas outras pessoas me dão lições gratuitas de vida, sempre que eu disponho meu tempo e vou de cara limpa e coração aberto visita-las. Estão em um asilo sobre o qual já falei nesse blog. Mas não é preciso viajar muito para vê-los: em cada casa de repouso, moram pessoas com vidas diferentes e muitas lições a ensinar. Pessoas que muitas vezes não recebem visita alguma. Ninguém para conversar. Ninguém que esteja aqui fora sentindo saudades.
As conseqüências das ausências de visitas para essas pessoas eu desconheço. Sei que para mim, as conseqüências são o endurecimento do meu coração e minha descrença em pequenos milagres da vida.
Milagres como esse: a alegria.

A voz já fraquinha dessa senhora ecoa em minha mente: a gente tem que rir, menina.
E, no momento em que penso em uma tristeza qualquer, ela fala mais alto: a gente tem que rir, menina.

E eu, inconscientemente, sigo a ordem dada pela voz de quem já viveu tanto e hoje se lembra de tão pouco.

A gente tem que rir, meninas e meninos. Tem que levar a vida com alegria.

Aline Bridget

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou do que leu? Não gostou e eu mereço uma crítica?
Tudo bem... talvez eu chore, mas eu ainda vou gostar de você
Escreva nesse quadradinho abaixo...E não esqueça de assinar...
Obrigada!