quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Enquanto espero...

Há dias em que o acaso (ou o motivo escondido) prepara um cenário perfeito e propício para uma novela cotidiana: São dias em que sentimos que de tudo o que vivemos, somos meros fantoches, com nosso papel pré definido. Um trapalhão, um sedutor, uma dona de casa com a mão nas cadeiras.
Há dias em que o menor de nossos atos provocam uma reação em cadeia. Interferência ou participação previamente agendada?
Há dias em que o inexplicável toma conta do que deveria ser só mais um dia normal. Cotidiano.

Há dias que a chuva nos impede de sair ou de voltar para casa.
Geralmente esses são os dias em que mais precisamos sair ou voltar.
A sensação de estar ilhado é amedrontadora. E a vontade de ficar e se esconder onde quer que esteja é grande.

Devemos considerar que a chuva uma hora estia. Se não o fizer completamente, basta esperar que ela acalme... uma garoa não mata ninguém. Há dias que devemos memorizar para não esquecer: somos fortes.

Eu poderia discorrer bem mais sobre o teatro da vida e o espetáculo que foi meu dia.
Mas a chuva acalmou e eu quero muito ir pra casa.

Uma boa noite de chuva, querido diário.

Aline Bridget

domingo, 7 de novembro de 2010

Chaplin

"A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher."

sábado, 6 de novembro de 2010

Múltipla Escolha...

Um palco é uma escada, um corredor, um poço: esta ali desde quando nascemos, com chão firme ou lajes escorregadias – que no correr do tempo a gente vai transformando numa cadeia de tentativas, erros, acertos e acasos.

O que se abre para nos junto com cada uma dessas portas – o que ali vai se desenrolar por decisão nossa, seja ela vitoria ou desastre -, que aposentos vão se elaborar, em que pátios vamos caminhar, em que águas vamos nos afogar, talvez?

Vamos encontrar material previamente depositado, ou seremos depois boicotados pela fatalidade, nessa tarefa de ordenar espaços, colocar assoalho, erguer paredes, abrir janelas (e mais portas), inventar personagens além disso que seremos?

Talvez haja insetos rastejantes que tem de ser eliminados, vozes e recados que não entendemos (há que se apurar o ouvido), olhos nem sempre bons espreitando no escuro (vai ser preciso também instalar alguma luz).

No ar. Pendendo sabe se lá em que estrutura apenas esboçada, esta o nosso roteiro a ser cumprido: cada um do seu jeito, conforme nossa visão e informação, possibilidades e projetos. Sem esquecer a coragem para escolher, a cultura em que estamos metidos, as leis a que nos submetemos e as vezes em que soubemos escapar do comodismo.

Há que ter alguma coragem. Há que tem algum sonho correndo nas veias, e um grão de loucura faiscando na alma. Ou apenas desejo de viver a vida em vez de ser arrastado por ela como uma criança puxa atrás de si, na poeira, um brinquedo sem graça.

Mas nós temos graça. Nós fazemos a vida. Falhamos em muitas decisões (portas soltas nos gonzos, portas que dão em lugar nenhum, portas que não abrem) e isso vai da ideologia ao emprego, ao lugar onde morar, ao amigo e ao amante. Mas a gente pode sempre avaliar alguma coisa.

(Não tudo: a vida não é tão generosa assim.)

Por cálculos malfeitos desperdiçamos tempo e experiência – mas se não formos nem tolos nem rígidos demais, se o pessimismo não nos dominar, podemos ter um amor bom se perdemos o que estava ruim, ou foi roubado pela morte. Podemos ter uma vida nova, se deixarmos a outra, tormentosa e falsa. Podemos ter um novo projeto de trabalho (até ganhando menos), se o anterior não satisfazia mais.

Podemos mudar um mínimo lapso que seja até mesmo do universo, ainda que ninguém perceba, nem nós mesmos, porque estamos cegos para a importância do mínimo.

Aprendemos que, por mais que os tempos mudem e os costumes se alterem, as emoções humanas continuam as mesmas: da Coréia à Finlândia, do Congo a Amsterdã, todos queremos significado, segurança e harmonia.

Podemos nos anistiar se erramos feio, se formos medrosos, quem sabe cruéis. Podemos – e devemos – ser indivíduos para alem do que nos quer ensinar nossa cultura, para alem do que ordenam nossos governos, para alem das propagandas, das regras e convenções da nossa tribo, todos nós querendo um acomodado rebanho fácil de comandar. Querer decidir, não sempre aceitar, exige audácia e fervor – gosto dessas duas palavras. (...)

A quem achar que sou demais romântica ou demais pessimista, direi que nem uma coisa nem outra: escrevo sobre a morte porque desejo a vida e, sobre a dor porque acredito na possível alegria. Falo das minhas preocupações porque tenho esperança; espreito a sombra porque acredito em alguma claridade que justifique o universo. Comento dramas familiares porque considero esse núcleo o chão para sempre. (...)

Somos fracos, somos poderosos, somos assustados mas nunca completamente bobos. Eu acredito nisso. Antes que tudo desande, antes que tudo acabe, seremos mais do que escravos carregando de um lado para outro, sem saber porque, cenários de uma peça que nem terminou de ser escrita.

E se concluída, não teria nada a dizer.

(Capítulo Final do Livro Múltipla Escolha - Lya Luft)

Tive que transcreve-lo aqui. Tenho lido esse capítulo incansávelmente desde ontem, tentando entender as decisões que preciso tomar. Deixar o medo de lado. Fazer acontecer como manda o figurino. Tenho esse livro há quase um ano sem nunca ter conseguido finalizar a leitura. Faltava tempo, no montante das tarefas infundadas que tenho que executar.

Compartilho com os poucos que me lêem. Sem motivo, porque não acredito que exista em qualquer parte do mundo, lendo meu blog ou não, alguém que precise tanto dessas palavras quanto eu mesma.

Aline Bridget

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Creio que ele aproveitou para evadir-se, pássaros selvagens que imigravam....

A prova de que existe justiça é a mudança.
Mudança de planos, mudança de sentimentos, mudança de situações.
A prova de confiança que podemos dar a Deus, o tempo ou a quem quer que seja, é a paciência.
Toda situação é passageira. A boa, a ruim e a normal.
Demandas incontroláveis perdem totalmente o sentido com o tempo. Hoje vivo isso como experiência própria.

Veja bem, a sensação de perda de tempo é horripilante. No meu caso, foram anos de perda de tempo em um sonho e em um ideal que não prestavam. Não serviam.
Ontem, o que tomava conta do meu ser era culpa. Vontade de voltar no tempo e fazer tudo certo. Segunda chance era minha demanda.

Hoje, chego na linha de chegada (dessa corrida, pelo menos). Vitoriosa: posso estar atrasada mas cheguei inteira. Nem machucada estou.
Chego hoje a conclusão que não valeu a pena tal vivência e tal espera. Mas valeu a experiência.
Valeu por saber que sou só uma moçoila. Com sentimentos e necessidades super humanas.
Valeu por perceber que todo coração pode ser reconstruído e com o tempo, toda dor pode ser cicatrizada.
Valeu por perceber que as vezes, tentamos nos responsabilizar por situações que não nos dizem respeito. Cada ser aprende e se torna o que quiser se tornar. Veja bem, eu também já sofri. E não me tornei monstro algum. A vivência foi a mesma e é a mesma para milhares de pessoas no mundo: Geral já sofreu por algum motivo como rejeição, desamor, traição e etc.
O que cada um é capaz de fazer com o que aprendeu é que faz a diferença. Diferença entre os fortes. E os fracos que vão se proteger eternamente.

E por fim, valeu por perceber que o passado pode até ser relembrado. Mas na maioria das vezes, não deve ser revivido.

Aline Bridget

Obs.: O título é do Exupery - Sobre o momento que o Pequeno Principe abandona o Asteróide B612.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Texto nada meu...e nada mal.

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só!!
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...

Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora!

Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente.

OK? Não necessariamente nessa ordem!

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago...

Obs.: é possível encontrar esse texto como "Duas bolas, por favor?" e autoria atribuída a Danuza Leão. Ou "Pudim" e autoria atribuida a Martha Medeiros. Eu desconheço a autoria mas conheço de cor essa sensação.

sábado, 30 de outubro de 2010

Dez coisas que levei anos para aprender

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom ou empregado, não pode ser uma boa pessoa.

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

5. Não confunda sua carreira com sua vida.

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu todo o seu potencial, essa palavra seria ‘reuniões ‘.

8. Há uma linha muito tênue entre ‘hobby’ e ‘doença mental’.

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Lembre-se: nem sempre os profissionais são os melhores. Um amador construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.

Uma última, mas não menos sábia. ‘Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que outra pessoa morra’.

(Luís Fernando Veríssimo)

Pra ser feliz...

Eu ouço essa frase com tanta freqüência quanto ouço Bom dia.
Geral quer ser feliz... E querem ser felizes o tempo todo. E criam ligações entre felicidade e outras coisas, pessoas e situações que nada de felicidade são capazes de trazer.

Uma grande porcentagem da "População" que deseja insistentemente ser feliz, até já possuem motivos para a felicidade em sua vida: paz, amigos, família e um emprego razoável. Isso faria de um mero mortal um feliz mortal. Com muita garra para ir além, conhecer novos lugares, aprender novas coisas, novas pessoas e manter-se no sossegado caminho da paz, economizando energias para uma possível batalha dessas que a vida sempre traz porque ser mocinha ou herói de novela não é fácil... Parece felicidade certa? E não é.

Uma outra porcentagem da "população" vive na outra margem do rio, do outro lado da calçada: são aqueles que tem problemas em família, problemas de saúde e não possuem emprego ou renda própria fixa. Vivem de sobressaltos: uma dor, um filho que algo fez de errado, um algo a ajustar por ali. De meros mortais, essas pessoas se transformam em super homens (ou mulheres maravilhas, como preferirem): E doentes, escolhem trabalhos aleatórios e alternativos, com rendas que muitas vezes compram apenas o necessário. Não economizam energia para a batalha: eles não têm escolha e vivem a batalha. Energia sobra, flui pelos poros. Parece motivo para ser infeliz o tempo todo? Não é.

Um ou outro gato pingado, que nem entram nos meus gráficos, são as pessoas que vivem a vida de um jeito leve e eu as considero sortudas: tudo parece vir de forma fácil para essas pessoas e por essa qualidade, qualquer problema é resolvido conforme a demanda e com facilidade. São raras mas eu as conheço. Elas não falam muito em felicidade: basta olhar para elas que você percebe que elas estão de mãos dadas com o próprio interior, seguindo a vida conforme manda o figurino, sempre com um plano de contingência caso tudo dê errado. Uma palavra os resume: confiança.

Eu, por minha vez, se tivesse que me categorizar, diria que sou o caso 1. A porcentagem dos que freqüentemente "choram de barriga cheia". E dentro dessa categoria, que abrange boa parte dos que conheço, existem os estágios:
  • O primeiro estágio é daqueles que ainda buscam mudanças quando tudo fica ruim e não são sempre fortes, as vezes eles vacilam. O primeiro estágio é o das pessoas comuns, que buscam a felicidade e reconhecem que talvez já a tenham.
  • O segundo estágio é daqueles que reclamam até quando tudo está bom: Droga, recebi um aumento de salário! Mas o vizinho recebeu um aumento de salário maior que o meu, como vou ser feliz assim? Droga, estava com muita dor, mas era só enxaqueca. O segundo estágio é dos reclamões.
  • O terceiro estágio é daqueles que não mudam nunca. E para a vida ser menos monótona, eles vivem de problemas imaginários. O terceiro estágio é daqueles que deveriam procurar psicólogos. É o estágio dos pobres coitados.
E eu, aqui nessa categoria em que me encontro, continuo minha feliz busca: a felicidade está em mim. E eu sei que se eu parar o movimento externo, posso ouvir a voz do meu coração, aquilo que eu realmente sou e quero ser: e essa é a voz que me indica o caminho da felicidade, que nem sempre é pura alegria escandalosa e nem sempre é a pura paz da casa de campo.

Para mim, ser feliz, tem mais a ver com estar com a consciência tranqüila e sentir muito amor. Por mim, pelas pessoas, pelos filmes, pelas flores, pela vida. Pois como já disse Gandhi:

"Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho."

Um beijo feliz,

Aline Bridget

Obs.: Citei população entre aspas por falar da população que conheço e que observo. São meus amigos, meus amores, minha família. Pessoas lindas, com qualidades e defeitos unicos. São eles os responsáveis por cia e alegria no meu caminho feliz para a felicidade. População aqui é um termo que indica uma quantidade limitada porque eu não sou lá nada popular. Mas vale a observação e os insights. Aqui, considerem a intenção. Obrigada!



domingo, 24 de outubro de 2010

Por favor, desenha-me um carneiro?

Um ser, quando nasce nesse planeta, traz consigo a esperança e a alegria de ser bem vindo em uma família que durante nove meses esperou ansiosamente para ver seu rostinho feliz.
Um bebê, quando nasce, tão rosado, tão solar, tem a obrigação apenas de ser saudável e feliz e crescer como manda a lei da natureza: Nascer, crescer, envelhecer e morrer. Nesse meio tempo, ser feliz é a maior lei.
Certo?
Errado.

Um ser, quando Renasce nesse planeta, traz consigo a responsabilidade pelos atos passados. Escolhe provas que sabe que poderá suportar e, com a ajuda de quem sabe do assunto, escolhe famílias que o acolherão, ajudarão e aprenderão com ele. Escolhidas assim, aleatóriamente, sem ligação passada? Nop.
Nasce num corpo frágil e dependente mas mantém no espírito as certezas adquiridas em tanto tempo de vida.
Sua maior lei? Evoluir.
Seu maior mandamento? Amar.

Esse ser, muitas vezes não nasce com todas as faculdades necessárias para viver independente nesse planeta. Por vezes, o que consideramos um castigo divino é escolha do próprio espírito: uma deficiência auditiva, visual, mental, física...
Pessoas deficientes provocam dó em você?
Eles estão assim por escolha própria. Não devem ser mais ou menos amados por isso. Merecem sim, mais cuidados, mais apoio, maior atenção. Mas não devem ser excluídos ou olhados com pena. Não são coitadinhos. São seres fortes que sabem que serão capazes de suportar as provas as quais se dispuseram a cumprir.

Já vi de perto seres maravilhosos encarnarem sem o que os médicos consideram essencial para sobrevivência: um cromossomo, um glândula, um céu da boca, o hormônio que faria desenvolver conforme o crescimento, faculdades mentais... E vi de perto esses seres lutarem bravamente, dia após dia, para cumprir com sucesso sua missão temporária nessa terra de expiação.
Foram lutas difíceis. Para eles e para nós, que acompanhamos de perto, com os olhos marejados a cada nova crise. Com a mente ligada no plano superior, sabendo que aquilo deveria acontecer. E com o coração na mão sabendo que o certo era aquela criança correr pela casa e não ficar deitada num leito de hospital.
Foram momentos muito especiais, que guardo na lembrança, de cada rostinho calmo e resignado: espíritos que já se foram e conquistaram um lugar especial em meu coração, deixando-o assim, cheio de saudades.

Hoje, comemoro cada nascimento: Uma nova vida traz sempre novas esperanças. Crianças sempre foram motivo para muita alegria e, no meu caso, muitos apertões.

Essa semana, comemorei mais um nascimento. Um primo lindo com bochechas que eu vou apertar e morder com todo o prazer.... Mas como essa Terra não é lugar de passeio, ele veio viver conosco uma existência com algumas limitações físicas também.
Se eu choro, não é por dó. Eu já o amava antes de seu nascimento. E ele é muito bem vindo, independente de como vier.

Conversando com o pai dele hoje, um primo de primeiro grau com quem vivi ótimos momentos de minha adolescência e com que tive muitos insights, eu disse que eles (os pais) deveriam se considerar preparados e maduros: Não existe um fardo que um ser humano não possa carregar. Está tudo escrito e combinado. O hoje é reflexo do que fomos ontem. Não é Deus quem determina nosso caminho: São nossas próprias ações e escolhas.
Eu ouvi do outro lado da linha apenas um choro cansado.

E agora? Bem, o que temos?
Um pouco de fé e um amor maior que o mundo.
E a paciência para esperar....

Uma cura, um diagnóstico favorável, um milagre.

Esperar que seja um impacto mínimo possível para que possamos ensinar todas as lições que ele deve aprender pelo amor.
E esperar com otimismo que dessa vez a história seja diferente.

E é isso.

Aline Bridget

Obs 1.: O título é do Pequeno Príncipe do Exupery.
Obs 2.: Uma das instituições que conheci quando tinha tempo disponível e que merece uma visitinha e uma atenção. Os assistidos não são mais crianças, são pessoas com paralisia cerebral e, de todas as instituições que procurei quando queria doar o amor que tinha em mim, essa foi a mais fofinha que achei:

Fraternidade Irmã Clara - FIC
Av. Pacaembu, 40
Barra Funda
São Paulo - SP
CEP: 01155-080
11-3666-2727

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eu canto pela Paz... pela MINHA Paz...

"Dizem que o medo e a dor
Fazem a gente aprender
A superar como for
Um mal de amor pra valer
Verbos e sonhos se vão
Deixando a mesma impressão
Não vale a pena viver por viver
Pelo seu amor, chorei
Pelo seu amor que essa alma se lançou
E o encanto bom que existe então chegou
Quer viver assim, assim tão perto de mim?
E eu que era sozinho agora estou
Em paz
Estrela do meu céu azul renasceu
Em paz
Indo do Cruzeiro pra Sul renasceu
Em paz"

(Em Paz - Natiruts)

Eu acompanho esses moços de Brasilia desde o comecinho. Não me comparo aos fãs pois pouco sei sobre eles, mas amo de paixão a forma leve e livre com que eles cantam a vida e o amor.
E essa, antiguinha já, se chama EM PAZ... E no momento ela fala sobre mim.
Fala sobre minhas constatações e sobre a minha feliz descoberta que um tanto quanto melancólica e amedrontada ainda me deixa... E no panorama analisado, me sinto em paz comigo mesma.
E isso é tudo, ué.

Aline Bridget

Obs.: é do Natiruts também a música Iluminar que sempre canto pra minha irmã. Já devo tê-la citado aqui. Fácil perceber que Natiruts tem sempre um bom conselho e uma boa música para diversas ocasiões e relações.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Recomeçar... Onde mesmo eu parei?

Um dia me disseram que não existe o acaso e que cada pessoa e acontecimento tem razão de ser num passado por mim esquecido.
Um dia, ao ouvir tal explicação, tentei entender ligações com todas as pessoas do meu mundo. E tentei entender e categorizar todo meu mundo...
Um dia, ao tentar controlar o incontrolável, eu me vi perdida: eu que tinha tudo na palma da mão, já não sabia de mais nada.
E tudo o que eu queria abandonar, falava a minha consciência: Razões do passado, cuidado.

E eu fui ficando...
Sonhei, planejei e eu nada fiz.
Amei, desamei, re-amei... batalhei... e nada fiz.
Na verdade, essa lição de "razão no passado" me escravizou: hoje tenho medo de errar. Medo de machucar. E as vezes, eu machuco é o meu próprio e imaturo coraçãozinho.

É com tristeza e pesar que eu digo que nada fiz. Nada conquistei e pouco aprendi.
Mas o que eu sinto hoje é bem diferente de auto piedade ou tristeza profunda: estou decidida e apática. Tem mais a ver com rompimento...

Um dia me disseram que os laços de hoje tem origem em outrora. E que passada a lição a aprender e a ensinar, cada um segue seu caminho rumo a evolução...
Nesse dia me deram a chave da minha própria liberdade...

Hoje é um dia em que me questiono se já não aprendemos tudo... Acho de verdade, que podemos seguir rumos separados em direção a evolução. E nesse dia, com o coração partido, sem certeza alguma e sem ter pra onde ir, concluo que está na hora de ir embora.

E rumo a eternidade, concluo que eu nunca vou me esquecer de você.


Aline Bridget