O táxi parou no farol fechado e eu vi um casal de mãos dadas. Ele falava animadamente sobre alguma coisa. Ela ria descontroladamente e retrucava. Pertencimento e intimidade eram duas palavras que resumiam bem aquele casal.
O farol de pedestres abriu e o casal seguiu. Pé direito dele, pé direito dela. Pé esquerdo dele, pé esquerdo dela.
Ele ligeiramente a frente com um andar desajeitado típico de quem é alto demais. Ela com um andar firme e seguro como quem está exatamente onde deveria estar.
Atravessaram de mãos dadas, o casal que se pertencia. A intimidade quase palpável mesmo pra quem visse de longe.
O farol abriu e o táxi seguiu a viagem para o meu destino.
Esse casal me fez lembrar de uma vida (curta) que vivi. Uma vida de me sentir a mulher mais segura do mundo ao segurar a mão dele, uma vida de rir descontroladamente de bobagens e histórias que ele contava para me fazer rir. Uma história curta de pertencimento e intimidade. Intensa como toda vida deve ser.
Aquele casal me deixou com uma saudade imensa mas já nao há mais ruas pra atravessar de mãos dadas ou bobagens para rir descontroladamente. Nada daquela vida me resta. Eu só tenho ao meu alcance um sincero desejo: de que a história daquele casal que vi no farol tenha um final diferente da minha.
quinta-feira, 31 de março de 2016
sábado, 22 de junho de 2013
3 meses
Mas parecem muitos anos. Uma eternidade por um lado, um segundo fulgaz em outro.
Ora chego em casa e acho que vou encontra-la porque faz pouco tempo e eu ainda não me acostumei.
Ora parece que eu vou enlouquecer de tanta saudade porque já faz muito tempo.
3 meses...
Já tinha ouvido falar que as vezes a vida muda, radicalmente e de forma muito rápida. Ouvi histórias, li em minhas ficções...Nunca havia comprovado.
Foi como nas ficções mesmo: acaba um capítulo - que não deixa claro o final - e começa o outro já em outra estação, outra cidade, outros personagens.. só que na mudança a que me refiro, não tinha uma capa com os dizeres: X anos depois.
A vida mudou e mudou na hora. Mudou em dois segundos numa ligação de telefone.
Mudou naquela sexta-feira em que uma parte de mim também morreu.
Mudou naquelas 3 horas do período da tarde em que o chão faltou.
Mudou a vida, mudou a forma de enxergar, mudou a forma de sorrir, mudou a forma de amar.
E não dá pra dizer que deu pra se acostumar. Posso dizer, pra tornar positiva a mudança, que deu pra "acalmar".
Mas a mudança tá aí todas as manhãs quando ninguém levanta pra usar o banheiro e atrasar meu banho.
A mudança está estampada na cara do sofá todas as noites quando não tem ninguém pra fazer algum comentário sobre os atores da televisão.
A mudança está colada na minha testa quando não tem ninguém pra dizer que minha blusa velha é muito bonita (onde você comprou? Compra uma pra mim quando for lá...)
Ouso dizer mais, não foi só a vida que mudou.
Eu passei 27 anos da minha vida ouvindo frases como:
"Amigos e colegas não são mais importantes que sua familia"
"Tem que dar valor pra sua familia"
"Você precisa aprender as coisas porque você não vai ter sua avó, sua mãe e suas tias aqui pra sempre"
"Você precisa se cuidar, menina"
"Você precisa ter fé em Deus"
"Deixa de ser boba, menina. É um direito seu"
Eu nunca obedeci. Eu ouvia mas achava que sabia me virar melhor (tem sempre um pouco de petulancia na juventude, assumo).
Eu aprendi essas lições naquela sexta-feira...
Aprendi que amigos, se você contar os dedos, não enchem uma mão.
Aprendi que na hora do aperto, é a família que vai estar ali dando apoio, bronca, um lenitivo mesmo sem ter condições.
Aprendi que realmente as pessoas não ficam conosco nessa terra pra sempre, precisamos conviver ao máximo com elas e buscar fazer tudo certo pois "a mudança" não dá aviso prévio.
Aprendi que é preciso se cuidar sem ser paranóica. Um casaco e um chá no frio, muita água e frutas no calor...
Aprendi que as pessoas precisam me respeitar assim como eu as respeito. E elas só vão fazer isso se eu mostrar que sei me defender, que sei brigar pelos meus direitos, que sei gritar alto também.
Aprendi a cobrar as pessoas que me deviam. Ela sempre dizia que eu tinha que ir atrás e eu fui. Talvez ela se orgulhasse de saber. Não sei.
Eu tenho tentado aprender (nesses 3 meses, eu tentei todos os dias) a viver sem sentir a ausência. Porque a ausência dela ocupa muito espaço. Enche tudo de um vazio que a gente (sei que não sou só eu) precisa sorrir e fazer piada pra não faltar o ar.
Porque a gente tem que ser forte (tem que ter coragem, menina). Não dá pra vacilar, não com tantas lições que a gente aprendeu só de observá-la.
Pela honra que foi conviver com esse ser, que era minha referência de "bem", meu pedaço de anjo sem asa.
Pela família que ela criou. E qualquer coisa que ela tenha criado, merece ser cultivado.
Pelo amor, que a gente não deixa a saudade sufocar e a rotina esconder.
E pela certeza que um dia haverá um reencontro. Onde poderei dizer o que não disse:
Obrigada, vó. Obrigada por tudo o que me ensinou e por todo o amor que deu. Bença...
Ora chego em casa e acho que vou encontra-la porque faz pouco tempo e eu ainda não me acostumei.
Ora parece que eu vou enlouquecer de tanta saudade porque já faz muito tempo.
3 meses...
Já tinha ouvido falar que as vezes a vida muda, radicalmente e de forma muito rápida. Ouvi histórias, li em minhas ficções...Nunca havia comprovado.
Foi como nas ficções mesmo: acaba um capítulo - que não deixa claro o final - e começa o outro já em outra estação, outra cidade, outros personagens.. só que na mudança a que me refiro, não tinha uma capa com os dizeres: X anos depois.
A vida mudou e mudou na hora. Mudou em dois segundos numa ligação de telefone.
Mudou naquela sexta-feira em que uma parte de mim também morreu.
Mudou naquelas 3 horas do período da tarde em que o chão faltou.
Mudou a vida, mudou a forma de enxergar, mudou a forma de sorrir, mudou a forma de amar.
E não dá pra dizer que deu pra se acostumar. Posso dizer, pra tornar positiva a mudança, que deu pra "acalmar".
Mas a mudança tá aí todas as manhãs quando ninguém levanta pra usar o banheiro e atrasar meu banho.
A mudança está estampada na cara do sofá todas as noites quando não tem ninguém pra fazer algum comentário sobre os atores da televisão.
A mudança está colada na minha testa quando não tem ninguém pra dizer que minha blusa velha é muito bonita (onde você comprou? Compra uma pra mim quando for lá...)
Ouso dizer mais, não foi só a vida que mudou.
Eu passei 27 anos da minha vida ouvindo frases como:
"Amigos e colegas não são mais importantes que sua familia"
"Tem que dar valor pra sua familia"
"Você precisa aprender as coisas porque você não vai ter sua avó, sua mãe e suas tias aqui pra sempre"
"Você precisa se cuidar, menina"
"Você precisa ter fé em Deus"
"Deixa de ser boba, menina. É um direito seu"
Eu nunca obedeci. Eu ouvia mas achava que sabia me virar melhor (tem sempre um pouco de petulancia na juventude, assumo).
Eu aprendi essas lições naquela sexta-feira...
Aprendi que amigos, se você contar os dedos, não enchem uma mão.
Aprendi que na hora do aperto, é a família que vai estar ali dando apoio, bronca, um lenitivo mesmo sem ter condições.
Aprendi que realmente as pessoas não ficam conosco nessa terra pra sempre, precisamos conviver ao máximo com elas e buscar fazer tudo certo pois "a mudança" não dá aviso prévio.
Aprendi que é preciso se cuidar sem ser paranóica. Um casaco e um chá no frio, muita água e frutas no calor...
Aprendi que as pessoas precisam me respeitar assim como eu as respeito. E elas só vão fazer isso se eu mostrar que sei me defender, que sei brigar pelos meus direitos, que sei gritar alto também.
Aprendi a cobrar as pessoas que me deviam. Ela sempre dizia que eu tinha que ir atrás e eu fui. Talvez ela se orgulhasse de saber. Não sei.
Eu tenho tentado aprender (nesses 3 meses, eu tentei todos os dias) a viver sem sentir a ausência. Porque a ausência dela ocupa muito espaço. Enche tudo de um vazio que a gente (sei que não sou só eu) precisa sorrir e fazer piada pra não faltar o ar.
Porque a gente tem que ser forte (tem que ter coragem, menina). Não dá pra vacilar, não com tantas lições que a gente aprendeu só de observá-la.
Pela honra que foi conviver com esse ser, que era minha referência de "bem", meu pedaço de anjo sem asa.
Pela família que ela criou. E qualquer coisa que ela tenha criado, merece ser cultivado.
Pelo amor, que a gente não deixa a saudade sufocar e a rotina esconder.
E pela certeza que um dia haverá um reencontro. Onde poderei dizer o que não disse:
Obrigada, vó. Obrigada por tudo o que me ensinou e por todo o amor que deu. Bença...
domingo, 24 de março de 2013
Bença, Vó!
""E quando te houveres consolado (a gente sempre se consola),
tu te sentirás contente por me teres conhecido.
Tu serás sempre meu amigo, terás vontade de rir comigo..."
Quando cheguei ontem e a vi, deitada entre tantas flores (que ela tanto amou), percebi: ela não estava mais ali.
Seu corpo parecia agora uma casca de ovo de cujo interior, a mais bela ave já havia saído voando em direção ao alto, em busca de descanso, em busca das pessoas tão amadas que ela já tinha visto partir.
Já não a senti mais.
A presença forte, preocupada. O amor incondicional. O sorrisinho doce, a gargalhada gostosa...Não senti mais. Não foi nada disso o que vi naquele corpo deitado entre as flores... Mas não pude resistir a ficar perto todo o tempo...
Ela não deixará de existir por ter partido, ela só deixará de existir se a deixarmos morrer em nossos corações.
Quanto tempo dura uma luz nesta Terra?
Esta luz que vi, durou 87 anos. Iluminou a todos sem fronteira de espaço ou tempo. Nos apresentava sua forma iluminada de ver a vida, o bem, o amor, o respeito, a responsabilidade, a alegria, a fé. E se apagou no momento certo.
Partiu em busca de um lugar onde houvesse mais respeito, onde as pessoas vivessem tendo como lei o amor ao próximo, o respeito, o amor à Deus, os exemplos de Jesus Cristo, a moral elevada.
Estará agora, provavelmente, descansando.
Foram 87 anos de luta. Pra viver, ela sempre dizia, era preciso coragem, ânimo. E ela teve tudo isso até o fim. Coragem para ir em frente sem vacilar, ânimo para sobreviver a perdas e decepções imensas e fazer tudo isso com um sorriso pronto. Mas aposto que ela também cansou.
Perdeu filhos, perdeu marido, percebeu o declínio do próprio corpo durante o tempo. Talvez não tenha percebido a doce confusão que sua mente estava fazendo. Mas com certeza se cansou e precisa se refazer...
Eu vou parar de chorar em algum momento mas eu só gostaria que ela soubesse, onde quer que ela esteja, que sua vida foi mais que vida, foi exemplo.
E ser neta dela, foi mais do que ter sorte, foi ter a honra.
E se eu, por ventura, conseguir ser um pouco parecida com o que ela foi, eu já serei uma pessoa boa.
Porque ela, sendo ela mesma naturalmente sem esforço, era um ser maravilhoso. Que deixa hoje saudades, exemplos, memórias, fotografias... e aquela vontade de abraçar só mais uma vez, de dizer só mais uma vez "Bença vó"...
Te amo, véinha.
Vá em paz... nos encontraremos em algum lugar.
Aline Alves de Souza
domingo, 27 de janeiro de 2013
Os Problemas do Mundo
O mundo está repleto de ouro.
Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.
Mas o ouro não resolve o problema da miséria.
O mundo está repleto de espaço.
Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos.
Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.
O mundo está repleto de cultura.
Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião.
Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.
O mundo está repleto de teorias.
Teorias na ciência. Teorias nas escolas filosóficas.
Teorias nas religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.
O mundo está repleto de organizações.
Organizações administrativas. Organizações econômicas.
Organizações sociais.
Mas as organizações não resolvem o problema do crime.
Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o monstro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.
Bezerra de Menezes
Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.
Mas o ouro não resolve o problema da miséria.
O mundo está repleto de espaço.
Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos.
Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.
O mundo está repleto de cultura.
Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião.
Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.
O mundo está repleto de teorias.
Teorias na ciência. Teorias nas escolas filosóficas.
Teorias nas religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.
O mundo está repleto de organizações.
Organizações administrativas. Organizações econômicas.
Organizações sociais.
Mas as organizações não resolvem o problema do crime.
Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o monstro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.
Bezerra de Menezes
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Carta ao Casamenteiro...
Querido Santo Antônio, Boa Noite!
Primeiramente, quero parabenizá-lo pelo seu dia.
Que o sr. esteja muito Feliz em seu aniversário!
Hoje, quando voltava pra casa vi uma procissão de fiéis de uma igreja que leva seu nome. Eu juro que quase desci do ônibus para seguir. Agradecer. Reclamar. Reivindicar.
Mas eu não desci.
Não guardo mágoa de ninguém mas também não faço a "boa moça". Assumo que já coloquei sua imagem de ponta cabeça, já arranquei seu bebezinho, já conversei noites e noites a fio contigo até perder a paciência com a falta de resposta e transformar nosso bate papo em discussão de baixa categoria. Não sou santa, Santo Antônio. O Sr. é.
Sabe, entendo que a culpa não seja totalmente sua. Mas poxa. Analisa a situação: Em matéria de amor, eu pedi bem pouco. Eu pedi um fusquinha velho quebrado...
E o Sr. não me atendeu...
Continuou aí no céu dando BMW's zero kilometros pra pessoas não habilitadas que davam perda total no coração de outras pessoas...
Qual é o problema? Qual é o MEU problema?
Certo.
Eu não entro no jogo.
Eu faço tudo o que não pode: Eu demonstro interesse, eu cuido, eu já até cobicei o homem de outra moça. Idiotices feitas por "amor".
Eu precisaria agir certo, fazer por merecer, pentear mais meus cabelos, perder 20 kg, usar saltos mais altos, falar menos, rir menos, sair mais, me jogar mais.
Eu sei, Santo Antônio, eu não facilito seu trabalho. Não vou conseguir isso. Tenho tentado mudar tudo isso que sou há mais ou menos 26 anos. Sabe, tô desistindo, isso não vai mudar.
Em nome da nossa amizade (ainda te considero meu amigo, Santo Antônio. Mesmo brigando tanto. O sr. é meu geminiano querido) por favor, apenas afaste de mim aqueles que não forem para meu bem.
Manter-se são nesse mundo é tão difícil. O sr. não deve saber disso porque aí em cima não tem trânsito, chefes, SUS, trombadinhas ou metrô...
Mas a vida aqui embaixo é frenética. Manter o equilibrio já é díficil.
Manter o equilibrio com o coração partido, é impossível.
O aniversário é Seu. Eu sei.
Mas eu tô pedindo menos do que peço com frequencia.
Por favor, Santo Antonio. Livra-me dos amores que machucam.
Sem eles, eu consigo prosseguir sozinha.
Feliz Aniversário, Santo Antônio.
Com Amor,
Aline Bridget
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
A Lição das Cinco Bolas
"Imagine que a vida seja uma brincadeira em que você fica fazendo malabarismo com cinco bolas. As bolas se chamam: trabalho, família, saúde, amigos e integridade. Você está mantendo todas as bolas no ar e um dia finalmente se dá conta de que o trabalho é uma bola de borracha. Se você a deixar cair, ela vai pular de volta. As outras quatro bolas - família, saúde, amigos e integridade - são feitas de vidro Se você deixar cair alguma, ela vai ficar arranhada, ou lascada ou vai se quebrar de vez."
(James Patterson - O Diário de Suzana para Nícolas)
Foi só com esse livro que eu compreendi. Acho que agora posso começar a viver do jeito certo.
Aline Bridget
(James Patterson - O Diário de Suzana para Nícolas)
Foi só com esse livro que eu compreendi. Acho que agora posso começar a viver do jeito certo.
Aline Bridget
O Jogo do Anjo
..." Talvez por isso, todos pensassem que era um ateu. Mas era um homem de fé. Acreditava em seus amigos, na verdade das coisas e em algo com que não se atrevia a pôr um nome ou um rosto, pois dizia que para isso existiam os padres. O sr. Sempere acreditava que todos fazíamos parte de algo e que, ao deixar esse mundo, nossas lembranças e nossos desejos não se perdiam, mas passavam a ser lembranças e desejos de quem viesse a ocupar nosso lugar. Não sabia se havíamos criado Deus à nossa imagem e semelhança ou se Ele nos tinha criado sem saber muito bem o que fazia. Acreditava que Deus ou o que quer que seja que nos trouxe para esse mundo, vivia em cada uma de nossas ações, em cada uma de nossas palavras e se manifestava em tudo o que nos fazia ser algo além de simples figuras de barro. O sr. Sempere acreditava que Deus vivia um pouco, ou muito, nos livros e por isso dedicou sua vida a partilhá-los, a protegê-los e a garantir que suas páginas, como nosssa lembranças e nossos desejos, não se perdessem jamais, pois acreditava, e me fez acreditar também, que, enquanto restar uma só pessoa no mundo capaz de lê-los e vivê-los, haverá um pedaço de Deus ou de vida...."
(Carlos Ruiz Zafón - O Jogo do Anjo)
Esse texto é a homenagem do Padre no enterro do sr. Sempere, o livreiro de bom coração do livro o Jogo do Anjo. Tive que citar pois casa exatamente com a minha visão de Deus e eu gosto de colocar minha visão das coisas aqui.
Me toca muito a parte em que o Padre diz que Deus mora em nossas ações. Talvez isso sirva de reflexão para essa semana. Estamos agindo de acordo com as Leis de Deus? Cíumes, Mentira, Inveja, Raiva... são sentimentos que respeitam as Leis de Deus? O Deus, aquele que nos deu a vida e que nos dá maravilhosas lições diárias... estamos sentindo-O em todos os lugares e principalmente dentro de nós?
Não sou muito religiosa, apesar de já ter participado de muitas religiões. Buscava Deus, buscava respostas. Até que descobri que não existe técnica milagrosa para encontrar Deus. Não é um tesouro perdido.
Define Deus perfeitamente dizer: tudo. É tudo, é parte de tudo, como consequência é parte de mim. E parte de todas as pessoas que, por mais que errem e me machuquem, eu tenho que respeitar e amar porque dentro deles está uma parte de Deus e uma parte de mim.
Simples, não?
Insisto nisso: prefiro calar e aguentar o que tiver que aguentar sozinha do que falar e cometer um grande erro.
Aline Bridget
domingo, 22 de janeiro de 2012
Sonho bom
É uma espécie de luto mas não houve morte: certos sonhos, sonhados sem ser catálogados em "possíveis de dar certo" e "certamente darão errados" são como grandes amigos. Percebemos que enquanto vivemos um sonho desses, vivemos sozinhos com eles e pronto.
Mas como era de se esperar, chega a hora de acordar...
Esses sonhos sem categoria definida a príncipio, logo deixam claro tratar-se de sonhos "sonhados por idiotas que sonham demais". Como resultado, depois de uma sucessão de fatos que só causam constrangimento e espera inútil, o sonho acaba.
O que percebemos, caindo dos olhares acusadores e das meias palavras que dizem mais que frases feitas, é o final de algo que nem começou. Nem poderia, era um sonho só. Pra ser sonhado num sábado preguiçoso de manhã, pra salvar da solidão, pra fazer sorrir numa tarde de outono. Mas insistimos em torna-lo palpável. E é aí que começam os problemas com insônia...
Existem ainda, os sonhos da categoria "era sonho de amigo mas o sonhador viajou na maionese". É aquele tipo de sonho destruidor de amizades. Confundimos as coisas e no final perdemos tudo. O luto nesse caso é dobrado. A incerteza quanto a veracidade da amizade ou do amor, planta em nossos corações uma semente de erva daninha. Esse sonho já está na categoria pesadelo: acordamos dele e não temos mais nada.
A semelhança entre os sonhos citados acima está no erro de mira do cupido. Tem que haver algum culpado, não é verdade? E dessa vez, ainda em sonho, digo que a culpa é dele.
Foi ele com sua flecha desregulada que me acertou pela segunda vez sem acertar o moço. Sua flecha, banhada no mais potente sonífero misturado com chá de cogumelo, me levou a um sonho maluco novamente. E eu acabei de acordar.
É óbvio que nesse exato momento, o sr. cupido está em outro canto, fugindo de mim e criando maiores confusões com outras pessoas.
A mim, só resta tentar esquecer um sonho lindo que sonhei sozinha, enxugar as lágrimas e levantar dessa cama. Chega de sonhos por enquanto. É triste mas preciso me concentrar em viver a realidade.
Aline Bridget
Mas como era de se esperar, chega a hora de acordar...
Esses sonhos sem categoria definida a príncipio, logo deixam claro tratar-se de sonhos "sonhados por idiotas que sonham demais". Como resultado, depois de uma sucessão de fatos que só causam constrangimento e espera inútil, o sonho acaba.
O que percebemos, caindo dos olhares acusadores e das meias palavras que dizem mais que frases feitas, é o final de algo que nem começou. Nem poderia, era um sonho só. Pra ser sonhado num sábado preguiçoso de manhã, pra salvar da solidão, pra fazer sorrir numa tarde de outono. Mas insistimos em torna-lo palpável. E é aí que começam os problemas com insônia...
Existem ainda, os sonhos da categoria "era sonho de amigo mas o sonhador viajou na maionese". É aquele tipo de sonho destruidor de amizades. Confundimos as coisas e no final perdemos tudo. O luto nesse caso é dobrado. A incerteza quanto a veracidade da amizade ou do amor, planta em nossos corações uma semente de erva daninha. Esse sonho já está na categoria pesadelo: acordamos dele e não temos mais nada.
A semelhança entre os sonhos citados acima está no erro de mira do cupido. Tem que haver algum culpado, não é verdade? E dessa vez, ainda em sonho, digo que a culpa é dele.
Foi ele com sua flecha desregulada que me acertou pela segunda vez sem acertar o moço. Sua flecha, banhada no mais potente sonífero misturado com chá de cogumelo, me levou a um sonho maluco novamente. E eu acabei de acordar.
É óbvio que nesse exato momento, o sr. cupido está em outro canto, fugindo de mim e criando maiores confusões com outras pessoas.
A mim, só resta tentar esquecer um sonho lindo que sonhei sozinha, enxugar as lágrimas e levantar dessa cama. Chega de sonhos por enquanto. É triste mas preciso me concentrar em viver a realidade.
Aline Bridget
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
É bastante
"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
(Ricardo Reis, "Ode" 1933)
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
(Ricardo Reis, "Ode" 1933)
sábado, 24 de dezembro de 2011
Sopro de Vida
Fiquei em dúvida se podia tirar uma foto sua. Pensei inúmeras vezes se olhar sua imagem me faria ouvir de novo sua voz.
Fiquei com esse pensamento na cabeça a noite toda e não conclui nada.
Passei a maior parte do tempo te olhando como se pudesse me lembrar de tudo pra sempre. Talvez eu possa. Eu não desejo esquecer.
Fiquei olhando em seus olhos e me vendo ali como se tudo fosse de verdade. Eu continuo aquela velha brincadeira de acreditar.
Pedi secretamente a Deus para dar você pra mim. Eu não estava pedindo muito, só pedi uma pessoa que me faz tão bem que me leva a esquecer tudo o que eu já vivi de mal.
Pensando por esse lado, eu estava pedindo muita coisa. Eu estava pedindo tudo.
Passei a noite toda falando qualquer coisa pra não deixar o tédio que sou tomar conta do ambiente. Olhando agora, vejo o quanto me esforcei e o quanto parecia natural para você estar ali, me dar um beijo na testa, acariciar meu rosto, me tratar como se eu fosse importante demais para me deixar ir embora.
Fiz questão de beijar cada centímetro de seu rosto, sabendo que era olhando para ele que eu encontrava boa parte da alegria que vivo agora.
Pedi tão baixinho pro tempo parar e ele correu...
A fotografia que gostaria de ter tirado teria me atrapalhado: prefiro continuar com o movimento da sua presença nas minhas lembranças. Imagens estáticas não combinam com você.
Ficar parado, manter-se aqui... são estados que não combinam com você...Uma imagem não me levaria a lugar nenhum.
Sei que, de qualquer forma, você continuará vivo, vívido e dinâmico em minha vida, onde quer que eu vá. E por enquanto, não há estado nenhum que seja melhor que isso.
Aline Bridget
Fiquei com esse pensamento na cabeça a noite toda e não conclui nada.
Passei a maior parte do tempo te olhando como se pudesse me lembrar de tudo pra sempre. Talvez eu possa. Eu não desejo esquecer.
Fiquei olhando em seus olhos e me vendo ali como se tudo fosse de verdade. Eu continuo aquela velha brincadeira de acreditar.
Pedi secretamente a Deus para dar você pra mim. Eu não estava pedindo muito, só pedi uma pessoa que me faz tão bem que me leva a esquecer tudo o que eu já vivi de mal.
Pensando por esse lado, eu estava pedindo muita coisa. Eu estava pedindo tudo.
Passei a noite toda falando qualquer coisa pra não deixar o tédio que sou tomar conta do ambiente. Olhando agora, vejo o quanto me esforcei e o quanto parecia natural para você estar ali, me dar um beijo na testa, acariciar meu rosto, me tratar como se eu fosse importante demais para me deixar ir embora.
Fiz questão de beijar cada centímetro de seu rosto, sabendo que era olhando para ele que eu encontrava boa parte da alegria que vivo agora.
Pedi tão baixinho pro tempo parar e ele correu...
A fotografia que gostaria de ter tirado teria me atrapalhado: prefiro continuar com o movimento da sua presença nas minhas lembranças. Imagens estáticas não combinam com você.
Ficar parado, manter-se aqui... são estados que não combinam com você...Uma imagem não me levaria a lugar nenhum.
Sei que, de qualquer forma, você continuará vivo, vívido e dinâmico em minha vida, onde quer que eu vá. E por enquanto, não há estado nenhum que seja melhor que isso.
Aline Bridget
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