domingo, 6 de novembro de 2011

Passado escuro

Eu ficava me perguntando que caminhos teriam levado você para uma vida tão escura.
Eu ficava lá, tentando abrir cortinas, arrastar móveis e trazer um pouco de luz para sua vida... inutilmente.
Eu ficavá lá, perdendo meu tempo, acreditando em mentiras, tentando entender aquelas palavras que você pronunciava e que mais pareciam uma gravação do que sua própria voz falando... E era sua voz. Era você.
Era você com toda a bagagem cheia de preconceitos, egos e príncipios estranhos que lhe foram passados.
Era você esquecendo de comprar (com o dinheiro que você tanto valorizava) uma bagagem de amor ao próximo.
Vinha você e eu enxergava de longe, ouvia seus passos, sentia com uma inquietação na boca do estômago.
E quando você chegava, eu tinha que transformar de novo naquilo que não era. Por pouco tempo, porque você e sua bagagem tinham asas ao invés de pés. Como voavam com tantos sentimentos pesados?

Não me importa mais. Eu percebi que todas aquelas idéias que você tinha, eram idéias de outra pessoa e que aquilo não teria mais solução.

Você, sua mala, suas pessoas e suas opiniões ficaram no caminho escuro que abandonei quando num cruzamento enxerguei um caminho mais ensolarado. E segui por ele.

Não sinto saudades daquela escuridão não, mas algo em mim diz que se houvesse uma luz para acender naquele caminho, eu teria acendido. E algumas coisas teriam sido diferentes.

Mas não tinha luz nenhuma e tudo foi do jeito que tinha que ser.

Aline Bridget

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

TCC

Eu nunca descobri minha especialidade ou dom. Mas talvez eu seja muito boa em fazer cócegas em crianças. Talvez eu tenha muita habilidade em não desistir das pessoas mesmo que elas errem muito. Pode ser que eu seja expert em abraçar bem forte aquela pessoa que teima em não chorar quando tudo desaba. Tenho a impressão que tenho aptidão para fazer minha avó rir até ficar vermelha.

Eu nunca me formei em curso nenhum, mas em matéria de vida posso dizer que aprendi e tenho experiencia em olhar nos olhos quando falo. E sou muito boa em ter fé em qualquer coisa.

Eu nunca quis ter pós graduação em coisa nenhuma. Eu nunca quis nada pós. Sou muito boa em viver o agora seguindo o conceito e a lei do bom e do correto.

Não fui a uma aula de bons costumes, acho que docilidade vale mais do que etiqueta.

Eu nunca foi boa em coisa alguma. Aprendo por tentativa e erro, sou movida a afetos autênticos e dinheiro nenhum me compraria.

Estudei pra vestibular mas não consegui aprovação. Eu nunca quis aprovação mesmo...
Eu nunca consegui usar fórmulas para ser como deveria ser. Conta nenhuma chega a mim como resultado. Mas aprendi muito rápido como não me enquadrar em ser quadrada. Sou muito boa em ser livre...

Eu nunca consegui ser totalmente segura. Um pouco de medo aqui, uma apreensãozinha acolá fazem parte daquilo que sou. E são parte dominante do que sou hoje.

Eu estive em busca de aprendizado. Mais de aprendizado do que de diploma. E posso dizer do tanto que aprendi, com ótimos professores e pessoas maravilhosas. Eu podia correr o risco de ser fingir desinteresse e dizer que não me importo se não for aprovada (no curso), mas eu nunca fui tão boa em ser cínica.

Posso dizer com certeza que fui aprovada com honras em tentar de novo. E se não conseguir colocar em prática o que aprendi agora, tentarei até de fato conseguir.

O mundo é uma escola. E eu estou aqui para continuar aprendendo.

Aline Bridget

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tá na cara

"Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com presentes caros. Não, eu não estou à venda. Eu não quero saber onde você mora. Desde que você saiba o caminho da minha casa. Eu não quero saber quanto você ganha. Quero saber se ganha o dia quando está comigo"

(Atribui-se a autoria a Caio Fernando Abreu)

domingo, 16 de outubro de 2011

Tá no mural

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

(O Ultimno discurso - Chaplin)

domingo, 9 de outubro de 2011

Outra ocasião

Eu poderia começar esse texto dizendo que adoro a forma confiante como você sorri para mim. Sorri confiando de seu poder. Sorri com medo de não surtir um efeito tão poderoso assim.

Faria um texto bonito se eu pudesse dizer que a forma carinhosa como você me olha e o jeito tão possessivo como me toca são características que parecem ter sido criadas especficamente para momentos nossos.
Mas eu não cometeria o erro de escrever um texto tão cheio de meias verdades ou dessas parafernálias que minha cabeça cria para não enlouquecer de solidão. Eu prefiro desviar de um erro a mais.

Faria sentido citar uma das músicas que adoro e você finge gostar pra me agradar mas esta citação estaria tão fora do contexto como eu. Prefiro guardar pra mim.

Seria interessante e de bom tom agradecer pelo apoio em tantos momentos e pelo calor em tantos outros... Mas você me conhece, eu nunca faço nada como manda o figurino.

Fica pra outra vez.

Aline Bridget

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pesadelo - Parte III

A senhora estava olhando seu mural de fotos.
Se perguntava em qual momento o havia perdido de vista. Lembrou todos os momentos em que teve absoluta certeza de que ele não a pertencia.
Lembrou de todos os dias em que disse que seria o ultimo em que falaria com ele.

Ela nunca o esquecera. Viveu outros poucos amores sem nunca esquecer o jeito doce do seu olhar ou o toque quente de suas mãos. Seu amor por ele era como uma doença crônica, uma maldição.

Ela balançou a cabeça, tentando fazer com que essas lembranças desaparecessem e sentiu de novo a mesma tristeza por desejar um abraço dele.

Tristeza aliás era um sentimento que sempre havia acompanhado essa senhora. Era visível e ela falava isso, por algum canal de comunicação, dentro da minha cabeça. Como uma transmissão de pensamento.

A campainha tocou e eram algumas pessoas que vinham felicita-la pelo seu aniversário. No bolo, duas velas com os números 7 e 6. As pessoas cantaram um parabéns a você lentamente, enquanto ela observava sorrindo.

Quando ela se curvou para apagar as velas, eu acordei e percebi que havia apenas cochilado.


Boa noite.


Aline Bridget

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A analista

Aqui estou eu, caindo na realidade, pedindo em oração pra Deus me mostrar pelo menos qual a porta. Porque eu dou conta de bater e pedir licença. Entrar devagarinho, ir me mostrando aos poucos.

Aqui estou eu, velha demais pra ficar aqui, jovem demais pra desistir. Ajudando pessoas, atrapalhando outras e perdendo o que há de melhor em mim, todos os dias.

Aquela ali, sou eu. Eu gosto de me olhar de fora, assim como vocês.
Dá menos vergonha quando a gente olha assim um fracasso alheio.
Entristece menos uma sequência de erros quando esses erros não são seus.

O tempo não espera ninguém. A voz totalmente lucida de minha avó repete isso toda noite insone em minha cabeça. Eu digo a essa voz que fico porque penso que talvez fechar uma porta e ficar parada numa rua seja tão perda de tempo quanto permanecer nesse cômodo vazio. Eu fico, porque sinto medo.

Certamente, nessa constatação, minha avó rebateria, agora totalmente brava, e me diria que mulher não deve sentir medo, que mulher já nasce para lutar, que mulher tem que cuidar da casa, do marido, dos filhos e ser uma profissional exemplar.

Eu sei que apenas choraria por não ser assim, uma mulher tão forte.
Eu desistiria de discutir com a voz imaginaria da minha avó antes tão autoritária e pediria colo.
Contaria para ela que eu tenho lutado bravamente para cuidar de mim. E isso tem consumido uma parte considerável do meu tempo. E dormiria.

Sonharia um sonho que já sonhei e não faz tempo.

Aquela moça lá em cima, na pedra mais alta, era eu.
Todos, inclusive uma parte muito importante de mim estavam se banhando no lago doce que corria abaixo. Olharam em choque para cima uma única vez: Eu observa lá de cima.
Tinha medo de descer pela trilha.
Tinha medo de pular e aprender a voar.

Observei até não haver nada mais para olhar. Esperava que essa outra parte minha (que desconheço até hoje) viesse me encontrar.

Mas ela nunca veio. Seguiu em frente antes que o dia terminasse.
Se perguntassem por mim, provavelmente ela responderia:

Por enquanto, eu vou deixa-la lá.
Por enquanto, eu desisti dela.

Eu acordaria assustada. Reclamaria qualquer injustiça. E seguiria para a mesma vida que tem me deixado cada dia mais perto da morte.

Aline Bridget





quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Feliz Aniversário, meu amor!

‎"- Será bonito, sabes? Eu também olharei as estrelas. Todas as estrelas serão poços com uma roldana enferrujada. Todas as estrelas me darão de beber…
- Será tão divertido! Tu terás quinhentos milhões de guizos, eu terei quinhentos milhões de fontes…"
(Exupery)

sábado, 6 de agosto de 2011

Solidão

Essa solidão que acompanha e desloca, desfoca a visão.
As vezes, a gente não pede nada da vida: apenas que por algum momento alguém seja capaz de compartilhar algo conosco.
Compartilhar uma opinião, uma idéia, uma paixão, um objetivo.
As vezes, a gente pede pro universo só alguém pra olhar nos olhos sem precisar esconder nada.

Essa solidão pode enlouquecer. Nada é mais enlouquecedor do que ser um soldado solitário.
Nada é mais solitário do que enlouquecer por alguns ideais.

Essa solidão que acompanha em silêncio, desloca. As vezes, a gente se acostuma com longos momentos sem falar e se esquece de escolher as palavras certas.
As vezes, por tanta solidão, a gente dá os recados errados pras pessoas erradas.
Porque essa solidão as vezes trancafia a gente num quarto escuro e nossa visão se desacostuma a ver as  pessoas como elas realmente são.

Essa solidão que desloca a gente e separa como se já não fizéssemos parte da feliz comédia teatral, as vezes cega.
A gente se acostuma tanto a não ser mais parte daquela peça que já nem procura mais motivo para ser parte de alguma coisa.
A gente se acostuma tanto com o "Não ter motivos" que já não há mais esforços. Pelo menos, não mais esforços que devam ser ditos. Até porque não haveriam palavras.

Essa solidão que enlouquece, causa risos em alguns e preocupação em outros.
Mas ela não é assim, um bicho de sete cabeças.
Zombar de um estado de espírito como esses é desperdiçar a oportunidade de conhecer profundamente uma pessoa que sozinha, aprendeu muito sobre si.
Preocupar-se com um estado de espirito como esses não livra ninguém de senti-lo algum dia.

Essa solidão que enlouquece e segrega, também ensina.
E hoje estou apta para aprender a próxima lição.

Aline Bridget

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Maluquices

"Espero que você possa perdoar
Essa maluca mania que eu tenho
De falar enlouquecidamente qualquer coisa
Só pra fingir
Que não fico enlouquecidamente perturbada
Com sua presença."

Aline Bridget