domingo, 30 de janeiro de 2011

Mestres improváveis

"A gente tem que rir, não é menina?
Se a gente não levar a vida assim, brincando, tudo fica ruim, triste.
A gente tem que rir, tem que falar besteira, tem que jogar conversa fora. E viver sempre alegre"

Essas são frases de Dona Ondina, pessoa que estará sempre em meu coração mesmo que eu tenha que reconquista-la a cada visita.
Já imaginaram, né? Dona Onda, como é chamada, tem Mal de Alzheimer. Simpática que só, faz questão de dizer que sentiu muita saudades a cada vez que me vê.

Essa e muitas outras pessoas me dão lições gratuitas de vida, sempre que eu disponho meu tempo e vou de cara limpa e coração aberto visita-las. Estão em um asilo sobre o qual já falei nesse blog. Mas não é preciso viajar muito para vê-los: em cada casa de repouso, moram pessoas com vidas diferentes e muitas lições a ensinar. Pessoas que muitas vezes não recebem visita alguma. Ninguém para conversar. Ninguém que esteja aqui fora sentindo saudades.
As conseqüências das ausências de visitas para essas pessoas eu desconheço. Sei que para mim, as conseqüências são o endurecimento do meu coração e minha descrença em pequenos milagres da vida.
Milagres como esse: a alegria.

A voz já fraquinha dessa senhora ecoa em minha mente: a gente tem que rir, menina.
E, no momento em que penso em uma tristeza qualquer, ela fala mais alto: a gente tem que rir, menina.

E eu, inconscientemente, sigo a ordem dada pela voz de quem já viveu tanto e hoje se lembra de tão pouco.

A gente tem que rir, meninas e meninos. Tem que levar a vida com alegria.

Aline Bridget

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Ultimo Discurso - Chaplin



Já postei esse texto mas achei o vídeo. Fica bem mais convincente.

Aline Bridget

Pesadelo

Ela estava mais uma vez num cinema. Vicio que carregou por toda a vida.
Sentou-se novamente num lugar bem ao centro, visão total da tela, desligou seu telefone e esperou pacientemente pelo filme.
Olhou nas poltronas abaixo e viu diversos casais conversando ou em momentos íntimos de carinho. Sentiu de novo os olhos marejados por tudo aquilo que não teve.
As escolhas na vida dessa senhora a levaram a uma vida de espera. Por conta própria abriu mão de um amor novo, de ir ao cinema de mãos dadas, de planejar, de viver. Por um juramento que havia feito. Por um amor que durante a vida toda esperou voltar.
Ela olhou todos aqueles casais num chamego só, enquanto o cinema tocava ao fundo uma música clássica (mania dos cinemas fazerem isso, mesmo após cinquenta anos). E chorou. Como não havia chorado a vida inteira, chorou pelo peso dos anos. Pelos sonhos que não realizaria mais. Pelos filhos que não teve.
Chorou porque foi jovem. E só se lembrava do seu unico amor. Dos momentos vividos com ele num cinema assim como esse, na hora da música clássica também. 
A vida dessa senhora havia tachado esses momentos de puro crime e pecado: a condenação foi não mais tê-los.
Ela enxugou as lágrimas e o filme não começava.
Nem trailer, nada.
Era uma lição que a senhora tinha que aprender ali, na sala de cinema.
Começaram os trailers finalmente. A senhora enxugou os olhos já enrugados e tentou se concentrar nos filmes que seriam lançados em breve.
O filme começou e nele a mesma provação: amores que as pessoas viviam. E ela não. Não poderia mais.
Não havia vivido nenhum desde que ele se fora. A senhora viveu uma vida de espera. De entrega. De lembranças. Por escolha dela.
Mas quando o filme acabou, uma comédia romântica do jeito que ela amava, sempre havia amado, seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Ela esperou que todos saissem: a música final das comédias românticas era sempre uma baladinha gostosa.

Antes do final das letras que sobem, ela já havia se levantado para ir embora.
E antes que ela chegasse a porta, eu acordei aos prantos.

Aline Bridget

Para que nada se perca

"Quando eu morrer, minhas memórias vão se perder. Mas não quero que se percam. Tenho de dá-las para alguém que tome conta delas. Aí me vem a aflição por escrever. Quando escrevo, estou lutando contra a morte. A morte das coisas que o meu amor ajuntou e que vão se perder quando eu morrer."

Rubem Alves - Se eu pudesse viver minha vida novamente.


Nunca fui convidada a escrever pra ninguém. Minto, já tive que escrever cartas de amor para amigas que não o souberam fazer. Foram tarefas engraçadas, falar sobre um amor que não sinto para alguém que não amo.


Muitas das coisas que escrevo, ficam guardadas. Outras, sequer são lidas.
E mesmo assim, basta um minuto de silêncio para que minhas idéias fluam.
Não tenho a pretensão de escrever para multidões ou de escrever perfeita e admiravelmente. Aqui, escrevendo, sou simplesmente eu com minhas idéias, fictícias ou não. 


Eu raciocino melhor quando escrevo. Motivo que justifica o número elevado de rascunhos que acumulo na faculdade, trabalho e quando leio algum livro mais complicado.


Existem coisas que eu bem que gostaria de transformar em texto. Fazer alguém ler. Tornar eterno. E não é nada assustador: é a borboleta que voa em minha volta (bom agouro), a primeira vez que vi meu primo, recém nascido (e me apaixonei), meu primeiro beijo, outras tantas primeiras coisas que foram por demais lindas, uma surpresa de aniversário, um arco íris, o mar.


São coisas simples que eu gostaria de eternizar em texto.
Arquivar tudo em .txt, .doc e .pdf. Pra lembrar sempre, até quando estiver sem memória.
Pra contar a meus filhos quando os tiver. Aos meus netos. 


Pra que esses saibam, naqueles dias cinzas da vida, que dá pra ser feliz...
...se souber colorir
...se descobrir o que mais agrada
...se souber comunicar pra não deixar se apagar.


Até hoje, mantive lindas memórias em meu coração. Mas há uma certa urgência no ar, na forma como esse quarto gira sem razão.
Há uma urgência a cada segundo que o relógio deixa ir sem me esperar.


E talvez eu deva priorizar essa urgência. Toda urgência no fundo quer dizer: Logo mais pode ser tarde.


Começo hoje, com ótima trilha sonora.

Aline Bridget


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Momento tiete



Jogue suas mãos para o céu
Agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê...

Ouvi essa música hoje pela manhã. E pensei nesses dois seres da foto. 
Esclareço que não sou uma titia encalhada. 
Esclareço ainda que minha relação com esses dois seres é de total igualdade: Nós 3 temos 5 anos de idade e somos amigos. E abundantes. (?)


Esse post é apenas uma homenagem aos responsáveis pelas flores, pelas bolhas de sabão e pelas cores do meu caminho. Segundo ele, eu sou a responsável por comprar as bexigas com meu cartão do banco. Divisão de tarefas justa.


Aline Bridget

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Conto de fadas

Era uma vez uma mocinha feliz e saltitante que nunca dormia o bastante.

O trabalho exigia que acordasse antes dos pássaros.
A Faculdade exigia que dormisse após os morcegos.
Olheiras, bocejos, cansaço: a vida dessa moça era um eterno ZZZZZZZ.


Sua única felicidade: Sábados. Os de começo de semestre pois os sabádos do final de semestre eram de trabalho duro, árduo e de madrugadas em claro trabalhando.


Tudo ia bem. Até se mudar uma nova vizinha para o vilarejo onde morava essa moça: Era o fim de um reinado de paz.


A sexta feira havia sido puxada. A moça tinha ido dormir perto da hora do sol nascer. Nem bem cochilou, o sol nasceu. E com ele, nascia uma estrela. Uma estrela não, era um meteoro: grande, barulhento e fazendo estragos por onde passava.


O barulho que esse “meteoro” feminino fazia era mais ou menos assim: (Vou tentar reproduzir o som da voz gritando + o rádio + o cachorro + as duas crianças agitadíssimas que moram com a “meteoro”):


- Hoje a minha vitória tem sabô de méu

Tem sabô de mééu


Tem sabô de mééééééééééééééu


AUUUuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu Au au auuuuuuuuuuuuuuuuuuu


Brrooooooooooooooooooooom Brooommmmmmmmmmm Bi Biiiiiiiiiiiiiiiiiii Sai Greg, que eu vô passá com meu caminhãããããããão.... Broooooooooooooooooom


Buáááááááá...Ô MÂÂÂÂÂNHEEEEEEEEEE


Tem sabô de méu


Tem sabô de méu.


Era mais ou menos isso.


A mocinha levantou muito assustada, chiquérrima com sua máscara anti claridade, achando que era o fim do mundo. Sua amorosa mãe lhe explicou que tratava-se apenas de sua vizinha, louvando a Deus.

Poxa vida, precisa louvar o coitado assim tão alto? Não dá pra dar uma louvadinha depois das 10 da manhã?

A música em si é bem complicada. Fala que a vida da pessoa antes de ser “fiel” era uma prova com o gosto amargo. Mas hoje a vitória TEM SABÔ DE MÉU, TEM SABÔ DE MÉU, TEM SABÔ DE MÉU. (desculpem por isso)

A moça, que já não curtia tanta competição, pegou mais raiva ainda dessa palavra. Vitória, batalha, guerra. Moça da paz. Simpática pra caramba ela.

O fato é que essa moça não quis ver a vitória da vizinha. Nunca vai saber que porcaria de sabor a vitória tem. Mas seu sono, seu descanso e sua paz foram terrivelmente derrotados.


Sim, essa é uma história em que o vilão tem final feliz. A vitória melada é do vilão.


Pronto, agora podem chorar de dó da mocinha.


Fim

Aline Bridget

domingo, 16 de janeiro de 2011

Enquanto isso, no mundo da ficção...

...A Imagem Filmes disponibiliza mais fotos, wallpapers (para desktop e iphone) e BG para twitter do esperadíssimo Caça as Bruxas do delicia cremosa talentoso ator Nicolas Cage.

Enquanto o filme não estréia, fico com os wallpaper's e o cartaz. Eu particularmente gosto mais do segundo wallpaper aí embaixo, que fecha o trailer novo. Lindo, não?



Trailers, fotos, detalhes e sinopse estão no hotsite do filme:



Aline Bridget

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Thank you, consequence...

Desde crianças aprendemos lições que durarão e serão uteis para a eternidade.
Antes mesmo de desenvolver a capacidade de raciocinar, o bebê já recebe impressões e lições. E são essas lições que formam o alicerce, a personalidade, o caráter da pessoa.

Sempre tive orgulho de dizer que aprendi muito cedo o que é respeito pelo próximo. E entre as lições importantíssimas, aprendi também o que é amor, o que é amizade, onde estão as delimitações do meu espaço e do espaço do outro. Uma série de lições que me torna isso que poucos gostam: Caxias.

Com muita calma, tenho me defendido dessas acusações com silêncio. Pouco importa o que você é ou o que você faz: geral quer se apossar da razão. Ser o dono da razão, hoje em dia, vale mais que ganhar na mega sena.
E eu, aqui quietinha, falando mansinho, balbuciando okay's, pergunto: viver é competir?

A tristeza que sinto agora nem as mais belas palavras que eu usar transmitirão.
O tamanho da minha decepção com tudo isso que é feio demais ultrapassa as barreiras dessa tela em que escrevo: eu tenho vontade de montar um out door todo meu, aqui em SP, proibido mesmo, e escrever com fonte serifada e vermelha: Cadê o amor, galera???

Sobra ironia, sobra sarcasmo, sobra provocação... Sobram degraus invisíveis que todos se estapeiam pra subir... E PRA QUÊ?????????? Essa vitória levará a que lugar?
Cadê a fé no amanhã? Cadê o respeito pelo próximo?

Sou Caxias, sonhadora, ética, emo, inocente e levo desaforo pra casa... Okay. Pode ser.
Mas quando olho para dentro de mim, o que vejo é um ser humano que acredita na existência da bondade, que acredita no futuro, que prefere calar, que acredita em Deus.

Olhar para dentro de si requer coragem. (SIM, existe vida no interior da gente também, embaixo dos músculos que a gente cultiva, dos silicones que a gente coloca, da roupas que a gente compra pensando se vai combinar, se vai ornar, se vai realçar, se alguém vai olhar.)

Sou revoltada, não vejo TV, discordo, não gosto, faço piadas a toa, mal sei andar a pé, não brinco com sentimentos de ninguém. E eu não tô nem ligando. Aprender a se amar tem pouco a ver com auto estima. Pior merda que inventaram foi a auto estima.

Já viram alguém falido com auto estima?
A pessoa não tem nada: mas tem pose. E autoridade. Arita que me perdoe. Auto estima é coisa pra gente que tem preguiça de se assumir. E covardia para tentar mudar o que tá errado em si mesmo. Tem que mudar, gente! Instinto assassino todo mundo tem (vide TPM): tem que controlar, tem que mudar, tem que ter educação. Não é tudo permitido como dizem na TV não.

Eu tô muito brava, decepcionada. Parece que estamos vivendo o fim do mundo. Isso tudo é um desbunde, um desrespeito, uma barbarie.
Acima de qualquer coisa, essa época de tantos resgates e sofrimentos, é de uma tristeza profunda.
Tristeza essa que me obriga, cada dia mais, a entrar dentro de mim.
Não por medo.
Mas pra conferir se tudo aquilo de amor que demorei tanto pra conquistar não foi contaminado pela feiúra que vejo ao redor.

Aline Bridget

Obs.: O título é da musica Thank U da Alanis Morissete

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Faça uma lista....

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?

Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?

Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?

Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?

Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

(A lista - Oswaldo Montenegro)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Oração do dia

Senhor,


Se o preço que se paga por acreditar é a decepção, eu lhe imploro que me conceda eternamente a capacidade de duvidar.


Amém