sábado, 14 de agosto de 2010

Insight sobre o amor verdadeiro...


Ontem eu vi um casal de idosos na rodoviária do Tietê em SP. Esperando com uma certa ansiedade um ônibus de volta para Visconde do Rio Branco - MG, terra natal. Aproveitaram o benefício da passagem gratuita para pessoas com mais de 60 anos e vieram conhecer SP.
Como descoberta, ela ganhou uma calça e até gostou de usar nesse "vento gelado que faz aqui". Ele pouco falou. Na forma como se olhavam, dava pra perceber que haviam compartilhado uma longa, difícil e apaixonada vida e não tinham a menor intenção de se afastar ou deixar de compartilha-la.
Ela falou com os olhos marejados que ainda bem que chegaria sábado pois o neto estaria em casa. Fosse dia de semana e ela teria que esperar até as 11 da manhã até ele voltar.
Esse casal não deve ter estudado. As mãos calejadas mostram que seus empregos iam de trabalhar na lavoura e lavar roupa para fora. O ar simples de dizer "estou muito elegante de calça cumprida" mostra que eles nunca tiveram muita abundância financeira. Mas quanto amor havia! Quanta beleza e quanta leveza!
O próximo plano deles? Ir até Volta Redonda - RJ de graça também, visitar a irmã dele. Falavam isso com um ar aventureiro de quem não tem medo de descobrir a vida.
Eu observei esse casal com uma saudade no peito e uma sensação indefinida.
Quer dizer, eles devem ter uns 80 anos e provavelmente são casados desde antes dos 20. Nessa época, no local onde morava, namorava-se no sofá da sala. Não havia MSN, orkut ou SMS: O moço adentrava sua casa, conhecia sua família e nunca ligaria no dia seguinte pois no dia seguinte ele estaria lá. E todos os dias seguintes até conseguir se casar com você.
O moço nunca te convidaria para ir a um Motel num segundo encontro e provavelmente só te beijaria de verdade depois de muitos encontros. Respeito pela mulher e pela família era mais levado em conta pelos dois.
O moço nunca "ficaria" com sua amiga, nunca te diria que você era boa demais para ele, nunca te deixaria sozinha num momento complicado.
O moço até insistiria mas é provável que a primeira "noite de amor" entre vocês aconteceria só depois de casados.
Então eu pensei na quantidade de vezes que me disseram que eu era ultrapassada em minha forma de me relacionar (e não por questão de sexo porque sou até libertina até demais desde que sinta segurança), mas pela minha forma eterna de ver a vida e o amor.
Eu estive esses últimos anos, perdida entre meu Marck e meu Daniel numa roleta maluca em que eles mudavam de papel a cada rodada e eu sempre soube que os meus sentimentos para com os dois eram absolutamente distintos.
Um é meu amor para recordar que quero ter por perto pra sempre. Um é meu amor para enlouquecer que prefiro nem comentar o que quero.

Eu pensava nisso enquanto a senhorinha ajudava o senhor a encontrar as passagens e cheguei a conclusão que no final das contas, sou uma Bridget sem nada. Porque nunca homem algum me olhou daquela forma tão simples e familiar, como se tivesse me amado desde sempre com todos os meus defeitos.
E percebi que o Marck e o Daniel, sejam lá quais sejam as posições, me ensinaram muita coisa mas estão longe de ser um amor para a eternidade, como esse casal.
Vim pra casa me sentindo mais sozinha e infeliz do que nunca me senti.
Mas a lição foi dada e o insight mais uma vez foi percebido.
Agora é hora de tentar recomeçar.


Um beijo a todos que acreditam no amor verdadeiro.

Aline Bridget

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